Capitalismo e população mundial | Page 84

ção que, cada um à sua maneira, tem suas próprias leis de reprodução da população humana. O modo capitalista de produção não constitui exceção. O regulador principal neste caso é a produção de um exército de reserva adequado que lhe permita aumentar a taxa de lucro ou, mesmo que seja na contramão, frear ou reduzir a velocidade da sua queda. Seja ele um exército nacional ou internacional. Vale notar que aqui aparece outra divergência entre nossa abordagem e a de T. Piketty. Este autor considera a reprodução da população como uma variável independente (O capital do século XXI, p. 11, 12, 18, 77), enquanto aqui observamos que, no longo prazo, ela é dependente e dialeticamente vinculada à reprodução do capital.  Os riscos para a sobrevivência da humanidade, se continuar a lógica que vem determinando o crescimento da população, da produção de energia, de alimentos e do consumo nos países mais desenvolvidos, estão identificados por fontes as mais diversas. Como vimos, o desenvolvimento do capitalismo vai no sentido de reduzir a taxa de reprodução da população. Se o problema fosse somente este e supondo que tal modo de produção pudesse desenvolver-se linearmente, que o tempo para fazê-lo, a desigualdade que tal desenvolvimento provoca e a agressão ao meio ambiente não fossem dramáticas restrições, ele poderia evitar um crescimento populacional 82 Capitalismo e população mundial