Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Página 571

Página | 571 Resumo Individual da Mesa-Redonda #2 TECENDO A ORDEM: SOCIEDADE, LEIS E MERETRÍCIO EM SÃO LUÍS DO MARANHÃO NA PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XX Profa. Dra. Marize Helena de Campos marizedecampos@yahoo.com.br Departamento de História e Profhistoria – UFMA RESUMO: Na virada do XIX, ainda que conservasse o aspecto colonial, traduzido nos suntuosos casarões azulejados de eiras, beiras, mirantes e pinhas de porcelanas, nos becos e ruas estreitas e tortuosas, a cidade de São Luís modificava-se. No redesenhar dos espaços, as casas-de-cômodo, hospedarias, hotéis, pensões e cortiços passavam a servir de morada aos indivíduos que chegavam. Acompanhando aquele remodelamento, criavam-se Leis, Decretos e outras tantas normas que visavam à disciplina e à higiene do novo viver urbano. “Avizinhavam- se novos tempos”. Tempos de medicalização da sociedade, de saneamento moral e social, de codificação de condutas, de controle da ordem, de inspeção de corpos e locais de convívio (habitações e lazer) ... Tempos “maquínicos”, “civilizados”, modernos e assépticos. Os sintomas da chamada cidade doente eram diagnosticados ao mesmo tempo em que eram disseminadas ideias de que os males possuíam várias ordens e matizes, incluindo os sujeitos e seus comportamentos. Os intentos em banir formas “incivilizadas” de viver, sujeira, doenças, promiscuidade, falatórios, palavrões, arruaças etc., acenavam para a cidade a imposição de padrões opostos aos que se afiguravam. Com efeito, foi após 1930 que tal ideário ganhou força. A construção da legitimidade varguista guiava-se por um discurso em que às contraposições entre moderno e arcaico, civilizado e incivilizado, higiênico e sujo, ordem e desordem, trabalhador e vadio, eram utilizadas como mecanismos de reordenamento, ou, de uma “nova” brasilidade. A conjuntura política tornava crescente a intervenção do Estado sobre o espaço público e sua regulamentação e a profilaxia era, no entender daqueles que a defendiam, a forma de defesa da sociedade contra os inúmeros “focos de infecção”. Apontado como um símbolo de ameaças, físicas e morais, o meretrício era pouco a pouco envolvido em projetos segregadores e de organização social da urbe ludovicense. Palavras-chave: Meretrício. Sanitarismo. Leis. São Luís/MA.