Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Página 569
Página | 569
Resumo da Mesa-Redonda-Redonda
NA ROCHA, NA PALHA, NA PEDRA, NO FERRO: CENÁRIOS DO VIVER DAS
GENTES DE UM LUGAR NA DIVERSIDADE DO TEMPO.
Profa. Dra. Maria da Glória Guimarães Correia
mariagcorreia10@yahoo.com.br
Departamento de História e do Profhistoria
Profa. Dra. Marize Helena de Campos
marizedecampos@yahoo.com.br
Departamento de História e Profhistoria
Raimundo Inácio Souza Araújo
inacio_araujo@hotmail.com
Colégio Universitário e Profhistoria
Profa. Dra. Antonia da Silva Mota
motaufma@gmail.com
Departamento de História e Profhistoria/UFMA
Universidade Federal do Maranhão
RESUMO: Alguém já o disse e bem sabido é que tudo aquilo que os homens e as mulheres fizeram,
pensaram e sentiram fala não apenas sobre eles, como e principalmente sobre o mundo em que
viveram. Fala, por conseguinte, sobre a complexa totalidade que o definia enquanto tal, uma vez
que configurada por uma dimensão física, material e igualmente pelo que há de mais impalpável,
imaterial. Por outro lado, por se entender que a feição com que se apresenta é fruto de construção
histórica e culturalmente erigida, ou seja, que resulta do vivido por homens e mulheres na
multiplicidade de suas relações na passagem do tempo, entendido também é que produzir e
disseminar conhecimento histórico constitui um importante instrumento para que se possa intervir
sobre ele, a fim de que se torne melhor. Assim sendo, com base nessas concepções e em estudos e
pesquisas dos seus membros, a presente mesa se propõe a refletir sobre ensino de história,
reconstituindo e analisando cenários do viver desses distintos sujeitos históricos, como também
apresentar e discutir recursos metodológicos acionados com o objetivo de alcançar aquele ideal.
Nesse sentido, ao tomar a estrada até o Parque Nacional da Serra da Capivara, no vizinho estado
Piauí, levaria o professor seus alunos a perceberem a consciência histórica dos seres humanos,
mostrando que por meio de uma linguagem pictórica e cheia de encantos nossos distantes ancestrais
encontraram uma bela forma de nos falar sobre seu mundo e como viviam. E se tal experiência leva
necessariamente à pergunta sobre o desaparecimento de uma flora e de uma fauna ali existentes, a
tensa e conflituosa relação entre o que muda e o que permanece, que marca os processos históricos
que nos plasmaram podem ser reconstituídos e analisados tomando-se como referência, por
exemplo, não mais do que uma singela igreja da cidade de Paço do Lumiar. Diante disso, levar à
compreensão de que vilas, cidades, bairros e os mais distintos logradouros constituem complexos
espaços de sociabilidade, à medida em que neles se dá o convívio de sujeitos os mais diversos,
observar a tessitura de relações que travam entre si e as mudanças que neles vão sendo operadas
por elas, dentre outros, pode levar à inquestionável compreensão da não linearidade dos processos
históricos, como também de que as coisas só permanecem porque mudam. Assim, tomando como
fio condutor para essa percepção a ressignificação dos sobradões da Praia Grande, a despeito da
noção de decadência com que foram revestidos, é certo dizer que foram aqueles e aquelas sem nome
e sem cabedais que os habitaram a partir de determinado tempo que garantiram a manutenção dos
suportes físicos da memória de uma São Luís marcada por profunda desigualdade, sobre a qual o
rendilhado em ferro de suas sacadas não deixa dúvidas.
Palavras-chave: Espaços. Sociedade. Memórias. Patrimônio.