Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Página 519
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Resumo Individual da Mesa-Redonda #2
A MANIFESTAÇÃO DO MEDO E A PRIVAÇÃO DA LIBERDADE EM "CELA
UM", DE CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE
Camila Cantanhede Vieira
cantamila@gmail.com
PGLetras/UFMA
Orientadora: Profa. Dra. Márcia Manir Miguel Feitosa
marciamanir@hotmail.com
PGCult/UFMA/CNPq
RESUMO: O presente estudo propõe uma leitura espacial voltada para a manifestação do medo
no conto “A cela um”, da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Esse é um dos doze
contos que estão reunidos no livro No seu pescoço, lançado em 2009 e traduzido para a língua
portuguesa no ano de 2017. Neste conto, a partir da narração de uma jovem, filha de professores
universitários moradores do campus, somos apresentados a Nnamabia, seu irmão, que quase
sempre sai impune das consequências de seus atos subversivos, até que é preso por
supostamente ser membro de um “culto” e se envolver em um atentado provocado por eles. O
objetivo deste artigo é observar como ocorre a representação desse sentimento nesse texto
literário. Nos variados estudos sobre o homem e a sociedade, o medo tem sido tema de inúmeras
pesquisas. De acordo com Yi-Fu Tuan, esse é um assunto importante para ser explorado, uma
vez que nos apresenta esclarecimentos relevantes que inquietam às civilizações desde os tempos
mais remotos. Para tanto, como aporte teórico para a análise que nos propomos, utilizaremos
categorias da Geografia Humanista Cultural, como espaço e lugar, espaciosidade e
apinhamento, cujas reflexões encontram-se na obra Espaço e Lugar: a perspectiva da
experiência (2013). Dentre muitas possibilidades de análise, sua teoria se destaca, pois nos leva
a perceber como a sensação e consciência de liberdade se dão gradativamente, enquanto os
acontecimentos vão se desenrolando na trama. Além de realizar um resgate contextual da
Geografia Humanista Cultural e de seus principais autores, como Eric Dardel (2015) e
Marandola Jr., é intenção desse trabalho identificar as relações vividas no espaço e no cotidiano
daquelas personagens. Na escrita de Chimamanda Ngozi Adichie é possível verificar a
articulação dos diversos modos com os quais as personagens se relacionam e percebem o
espaço. De uma densidade e profundidade temática e estilística intensas, Chimamanda, por
meio de sua narrativa, ratifica que o sentimento topofílico ou seu oposto, a topofobia, evidencia
comportamentos e atitudes que incomodam, apinham, sendo, por vezes, confundidos com uma
falsa sensação de liberdade.
Palavras-chave: Literatura Africana. Chimamanda Ngozi Adichie. Espaço. Topofobia.