Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Page 485

Página | 485 Resumo Individual da Mesa-Redonda #2 MANTO DA APRESENTAÇÃO: O CORPO DO MANTO QUE VESTE O MANTO NO CORPO Dr. José Almir Valente Costa Filho almirvcosta@ifma.edu.br 87 Instituto Federal do Maranhão Centro de Pesquisa Sociossemiótica PUC/SP Núcleo de Pesquisa e Produção de Imagem IFMA RESUMO: Neste artigo propomo-nos a analisar a obra Manto da apresentação de Arthur Bispo do Rosário (1909/11-1989), produzida na ocasião de sua permanência na Colônia Juliano Moreira (RJ) entre os anos de 1939 e 1989. Trata-se de uma vestimenta, um manto todo cortado, costurado e bordado a mão pelo artista. O Manto da apresentação nos instiga por toda a sua complexidade enquanto objeto artístico. A base teórica e metodológica utilizada encontra-se na semiótica francesa de Algirdas Julien Greimas, com os seus desdobramentos na semiótica plástica, nas pesquisas de Jean-Marie Floch e Ana Claudia de Oliveira, e no trabalho sobre o “sentido sentido” em ato constituído a partir dos regimes de interação teorizados por Eric Landowski. Percebe-se nas imagens que registram Bispo, in situ, que o Manto faz a visibilidade, torna-se visível, ao mesmo tempo, como objeto tridimensional e como suporte bidimensional, pois é o Manto que serve para configuração de um arranjo plástico em sua superfície. Desse modo, observamos que, a constituição desse arranjo plástico se dá pela bricolagem de sua tessitura - o corpo do Manto, e pelos modos como veste o corpo - o Manto no corpo. No Manto da apresentação de Bispo, o corpo vestido é o do próprio criador que investe no discurso valores das narrativas de seus modos de existir. Além disso, a interação do corpo do sujeito com o corpo do Manto produz o ajustamento porque a roupa se ajusta ao corpo do sujeito ao mesmo tempo em que o corpo do sujeito se ajusta ao tecido do Manto em sua dimensão sensível. O ato de vestir o Manto da apresentação presentifica seu sentido em ato. O Manto acompanha o fazer representativo de Bispo de seu viver e ele presentifica à vida. Palavras-chave: Arte contemporânea; Semiótica plástica; Regimes de sentido e interação. 87 Artista plástico e professor DE do IFMA e colaborador do Mestrado ProfArtes da UFMA. Graduação em Belas Artes - UFMG (1993) e Licenciatura em Desenho e Plástica pela UFMG (1995), especializações em Arte-Educação (UEMG - 1995), História da Cultura e da Arte (UFMG - 2005) e Gestão Cultural (SENAC/RJ - 2010), mestrado em Arte: Poéticas Contemporâneas pela Universidade de Brasília (2007) e doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP (2016).