Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Page 447

Página | 447 MULHER, MODA E DISCURSO NA SÃO LUÍS OITOCENTISTA Mylena Frazão da Cruz Graduanda de Letras-Espanhol / PIBIC-CNPq mylena.mfc@gmail.com Ilza Galvão Cutrim Professora-associada do DELER e do PG-Letras ilzagal@uol.com.br Universidade Federal do Maranhão RESUMO: Nos finais do século XIX, o Brasil passou por diversas transformações de ordem social, econômica e política, que alteraram o cenário dos grandes centros urbanos, incluindo a cidade de São Luís e a vida de seus citadinos. Nesse momento, há uma grande preocupação em aparentar modernidade e civilidade, essa preocupação era exigida pelos códigos de posturas, ensinados pelos manuais de etiquetas e cobrados pela mídia. Esses três dispositivos – de saber e controle – influenciavam o dia a dia de homens e mulheres, em especial dessas, pois eram seu principal foco; delas era cobrado “disseminar” o ideal modernizador e civilizador corrente em voga, importado dos países europeus, em especial da França. É essa mulher que tomamos como objeto discursivo, buscando identificar de que forma a mídia da época (por meio da moda), auxiliada por manuais de etiqueta e códigos de postura a subjetivavam e que práticas discursivas produziam sobre ela. Trazemos como teoria basilar para este estudo a Análise do Discurso de linha francesa, apoiada nas considerações foucaultianas (2018) sobre discurso, arqueogenealogia e dispositivo, ademais trazemos as considerações de Elias (1994) sobre o processo civilizador, Hall (2001) e suas discussões sobre identidade e Matos (2016) com suas considerações sobre modernidade e modernização. Para tecer discussão sobre a mulher ludovicense naquele período, nos alicerçamos em Abrantes (2014), D’Incao (2004), Silva (2008, 2011, 2014), Souza (1987) entre outras. A mídia joga com múltiplos sentidos e múltiplas construções identitárias para manipular os gestos de interpretação dos seus leitores (BARACUHY, 2010), foi assim nos séculos XIX e XX e assim tem sido ultimamente. Aqui pensamos a civilidade não somente enquanto uma escala de comparação e evolução das normas e regras de comportamentos, mas considerando-a também como técnicas de construção de subjetividades (SANTOS, 2015). Assim, acompanhar os parâmetros de civilidade europeus, em especial os franceses, estar na moda, era um importante trunfo da elite ludovicense, uma forma, sim, de aparentar o status social ao qual pertenciam, uma forma de distinção, mas essa transformação de si pelas regras de civilidade, fortemente influenciada pela presença do outro, vem do desejo de governar-se a si mesmo para governar o outro. Contata-se que a mídia e a moda determinam comportamentos e identidades por meio de um discurso que sugere como a mulher deve se comportar perante a sociedade e como ela deve vestir-se, estabelecendo normas de civilidade e fazendo-a representante do ideal modernizador correntes. Palavras-chave: Mulher. Mídia. Moda. São Luís.