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MEMÓRIA E PRÁTICAS COMUNICATIVAS PARA ENTENDER RELAÇÕES DE
MIGRAÇÃO E TRABALHO
Dra. Flávia de Almeida Moura
Universidade Federal do Maranhão
flaviaalmeidamoura29@gmail.com
RESUMO: O eixo de discussão que tem permeado nossas pesquisas situa-se entre
Comunicação, Memória, Migração e Trabalho. Durante estágio pós-doutoral, realizado na
Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2018, realizei estudo comparativo sobre essa
temática entre algumas localidades do Maranhão, como os municípios de Codó e Açailândia, a
partir de estudos realizados anteriormente (MOURA, 2009, 2016) e três províncias do Sul de
Angola: Benguela, Huambo e Huíla. Identificamos uma variedade de formas de migração e
trabalho e percorremos o papel das práticas comunicativas no processo dos deslocamentos
sazonais de trabalhadores rurais nos dois casos. Neste estudo, a comunicação interpessoal é a
principal responsável pela saída desses trabalhadores e também pelo seu retorno, e em alguns
casos, intermediados por órgãos governamentais, principalmente quando há denúncia de
trabalho degradante.Atualmente, coordeno um projeto de pesquisa que tem como objetivo
levantar histórias de vida de trabalhadores rurais maranhenses buscandocompreender os fluxos
migratórios bem como as estratégias de sobrevivência desses trabalhadores, que são vulneráveis
às condições análogas à de escravos ou já foram resgatados desta situação pelos órgãos
responsáveis pela fiscalização.Nos orientamos por Portelli (2000), concebendo memória como
sinal de luta e pelos enquadramentos de memória de Pollak (1992), indicando uma relação entre
a memória, o esquecimento e o silêncio. Identificamos a memória ainda como estratégia de
sobrevivência dos camponeses. Também nos interessamos pela perspectiva de Bertaux (2010)
ao afirmar que existem mediações subjetivas e culturais entre a experiência vivida “bruta” e a
sua narrativa. Entre uma situação social ou um acontecimento e a maneira pelo qual eles são
“vividos” no momento pelo sujeito, por exemplo, se interpõem seus esquemas de percepção e
de avaliação. Perseguimos, na atual pesquisa supracitada, as histórias de vida de trabalhadores
rurais em quatro municípios localizados na baixada maranhense: Pinheiro, Santa Helena,
Penalva e Viana, com o intuito de compreendermos a complexidade dos processos de migração
e de reprodução camponesa. Neste sentido, buscamos também mapear redes e práticas
comunicativas para o aliciamento e a denúncia da condição de trabalho escravo contemporâneo
dentro desse grupo estudado.
Palavras-chave: Comunicação; Memória; Migração; Trabalho.