Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Page 443

Página | 443 MEMÓRIA E PRÁTICAS COMUNICATIVAS PARA ENTENDER RELAÇÕES DE MIGRAÇÃO E TRABALHO Dra. Flávia de Almeida Moura Universidade Federal do Maranhão flaviaalmeidamoura29@gmail.com RESUMO: O eixo de discussão que tem permeado nossas pesquisas situa-se entre Comunicação, Memória, Migração e Trabalho. Durante estágio pós-doutoral, realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 2018, realizei estudo comparativo sobre essa temática entre algumas localidades do Maranhão, como os municípios de Codó e Açailândia, a partir de estudos realizados anteriormente (MOURA, 2009, 2016) e três províncias do Sul de Angola: Benguela, Huambo e Huíla. Identificamos uma variedade de formas de migração e trabalho e percorremos o papel das práticas comunicativas no processo dos deslocamentos sazonais de trabalhadores rurais nos dois casos. Neste estudo, a comunicação interpessoal é a principal responsável pela saída desses trabalhadores e também pelo seu retorno, e em alguns casos, intermediados por órgãos governamentais, principalmente quando há denúncia de trabalho degradante.Atualmente, coordeno um projeto de pesquisa que tem como objetivo levantar histórias de vida de trabalhadores rurais maranhenses buscandocompreender os fluxos migratórios bem como as estratégias de sobrevivência desses trabalhadores, que são vulneráveis às condições análogas à de escravos ou já foram resgatados desta situação pelos órgãos responsáveis pela fiscalização.Nos orientamos por Portelli (2000), concebendo memória como sinal de luta e pelos enquadramentos de memória de Pollak (1992), indicando uma relação entre a memória, o esquecimento e o silêncio. Identificamos a memória ainda como estratégia de sobrevivência dos camponeses. Também nos interessamos pela perspectiva de Bertaux (2010) ao afirmar que existem mediações subjetivas e culturais entre a experiência vivida “bruta” e a sua narrativa. Entre uma situação social ou um acontecimento e a maneira pelo qual eles são “vividos” no momento pelo sujeito, por exemplo, se interpõem seus esquemas de percepção e de avaliação. Perseguimos, na atual pesquisa supracitada, as histórias de vida de trabalhadores rurais em quatro municípios localizados na baixada maranhense: Pinheiro, Santa Helena, Penalva e Viana, com o intuito de compreendermos a complexidade dos processos de migração e de reprodução camponesa. Neste sentido, buscamos também mapear redes e práticas comunicativas para o aliciamento e a denúncia da condição de trabalho escravo contemporâneo dentro desse grupo estudado. Palavras-chave: Comunicação; Memória; Migração; Trabalho.