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MEMÓRIA COLETIVA, GRUPOS ÉTNICOS, ETNOGÊNESE: PENSANDO UMA
INTERDISCIPLINARIDADE ENTRE MAURICE HALBWACHS E FREDRIK
BARTH
Alipio Felipe Monteiro dos Santos
alipiomonteiro19@gmail.com
Verissa Einstein Soares do Amaral
verissaamaral@hotmail.com
Prof. Dr. Arkley Marques Bandeira
arkleymbandeira@gmail.com
Universidade Federal do Maranhão - PGCult/Capes
RESUMO: Versamos neste trabalho acerca de um diálogo interdisciplinar entre o pensamento
do sociólogo francês Maurice Halbwachs, pautado no conceito de Memória Coletiva, presente
em suas obras Los Marcos sociales de la memoria coletiva (2004) e Memória Coletiva (1990),
para com o conceito de Grupos Étnicos e de Etnogênese, definidos a partir de Fredrik Barth,
em seu texto “Os Grupos Étnicos e suas Fronteiras” (2000), mas também dialogando com outros
antropólogos que trabalham a questão da Etnogênese a partir da perspectiva colocada por Barth,
como Poutignat (2011), Cardoso de Oliveira (2000, 2003), Carneiro da Cunha (1986) e Arruti
(1997, 2006). Considerando o conceito de Memória Coletiva a partir de Halbwachs, sendo
aquilo que se impregna no indivíduo, pois que faz parte do social, encontrando seu apoio em
quadro ou marcos sociais como um ato de evocação do passado mediado pelo presente, logo,
criado por um esforço de refazer e reconstruir o passado a partir das relações colocadas pelo
contexto em que se rememora; e considerando o conceito de Grupos Étnicos assentado em
Barth, como unidades portadora de cultura compartilhada por meio de um campo de interação
entre grupos que se identificam e são identificados por outros através de diferenciações
categóricas; acreditamos que ambas as teorias empreendem um desfacelamento de uma
concepção primordialista ou essencialista de um fazer antropológico bem como sociológico,
em prol de uma emergência, construção e reconstrução de identidades étnicas a partir de uma
historicidade, onde a memória coletiva atravessa-se pela cultura. Logo, postulamos que os
estudos etnológicos, com a prática da etnografia, empreenderam a compreensão de como o
presente modifica as formas de lembrar dos grupos, incluindo o espaço e as relações como
pontos de apoio da identidade do grupo, e ainda, de grupos que mesmo sem seus lugares físicos
ou fora de seu campo de relações étnicas, podem produzir visibilidade e distinção para ancorar
sua identidade étnica (etnogênese), apoiando-se nas memórias coletivas do grupo, como
demonstra Halbwachs ao propor que, por mais que o espaço mude, o grupos se mantém, já que
suas memórias sobrevivem através do fortalecimento de seus grupos e das vias de transmissão,
passando por um processo de recordação, sempre negociadas a partir do presente, tal qual os
processos etnogênicos quando entendida a etnicidade como processo de interação social,
dialogando com Barth.
Palavras-Chave: Memória Coletiva; Grupos Étnicos; Etnogênese; Interdisciplinaridade.