Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Page 441

Página | 441 MEMÓRIA COLETIVA, GRUPOS ÉTNICOS, ETNOGÊNESE: PENSANDO UMA INTERDISCIPLINARIDADE ENTRE MAURICE HALBWACHS E FREDRIK BARTH Alipio Felipe Monteiro dos Santos alipiomonteiro19@gmail.com Verissa Einstein Soares do Amaral verissaamaral@hotmail.com Prof. Dr. Arkley Marques Bandeira arkleymbandeira@gmail.com Universidade Federal do Maranhão - PGCult/Capes RESUMO: Versamos neste trabalho acerca de um diálogo interdisciplinar entre o pensamento do sociólogo francês Maurice Halbwachs, pautado no conceito de Memória Coletiva, presente em suas obras Los Marcos sociales de la memoria coletiva (2004) e Memória Coletiva (1990), para com o conceito de Grupos Étnicos e de Etnogênese, definidos a partir de Fredrik Barth, em seu texto “Os Grupos Étnicos e suas Fronteiras” (2000), mas também dialogando com outros antropólogos que trabalham a questão da Etnogênese a partir da perspectiva colocada por Barth, como Poutignat (2011), Cardoso de Oliveira (2000, 2003), Carneiro da Cunha (1986) e Arruti (1997, 2006). Considerando o conceito de Memória Coletiva a partir de Halbwachs, sendo aquilo que se impregna no indivíduo, pois que faz parte do social, encontrando seu apoio em quadro ou marcos sociais como um ato de evocação do passado mediado pelo presente, logo, criado por um esforço de refazer e reconstruir o passado a partir das relações colocadas pelo contexto em que se rememora; e considerando o conceito de Grupos Étnicos assentado em Barth, como unidades portadora de cultura compartilhada por meio de um campo de interação entre grupos que se identificam e são identificados por outros através de diferenciações categóricas; acreditamos que ambas as teorias empreendem um desfacelamento de uma concepção primordialista ou essencialista de um fazer antropológico bem como sociológico, em prol de uma emergência, construção e reconstrução de identidades étnicas a partir de uma historicidade, onde a memória coletiva atravessa-se pela cultura. Logo, postulamos que os estudos etnológicos, com a prática da etnografia, empreenderam a compreensão de como o presente modifica as formas de lembrar dos grupos, incluindo o espaço e as relações como pontos de apoio da identidade do grupo, e ainda, de grupos que mesmo sem seus lugares físicos ou fora de seu campo de relações étnicas, podem produzir visibilidade e distinção para ancorar sua identidade étnica (etnogênese), apoiando-se nas memórias coletivas do grupo, como demonstra Halbwachs ao propor que, por mais que o espaço mude, o grupos se mantém, já que suas memórias sobrevivem através do fortalecimento de seus grupos e das vias de transmissão, passando por um processo de recordação, sempre negociadas a partir do presente, tal qual os processos etnogênicos quando entendida a etnicidade como processo de interação social, dialogando com Barth. Palavras-Chave: Memória Coletiva; Grupos Étnicos; Etnogênese; Interdisciplinaridade.