Boletim Kappa Crucis KAPPA01 -Primavera-2017 | Page 49

Boletim Astronomico KAPPA CRUCIS ­ No. 1 ­ Primavera 2017 Complexo do observatorio: Espaço bem aproveitado ou início de 2018. Ou o processo pode levar anos. Enfim. Até lá, o Observatório está temporariamente fechado e ninguém pode entrar no hotel. Entre 1986 e o início da década de 1990, alguns astrônomos da Contato com a Natureza: Estudo do meio região foram responsáveis pelas atividades do Observatório. Mas depois disso, ele ficou alguns anos sem uso. Em 1998, Messias Fidêncio, hoje astrônomo do Observatório Abrahão de Morais da USP (Universidade de São Paulo) em Valinhos (SP), assumiu o Observatório, mas ficou um ano apenas e então precisou sair por motivos pessoais. Ele passou a responsabilidade e coordenação do Observatório, em fevereiro de 1999, para Fábio Pires e Vitorio Zago, que trabalharam no espaço de forma ininterrupta até 11 de agosto de 2017, quando foi realizada a última atividade do Observatório Edmund Halley, com cerca de 40 visitantes. Nessa noite, que estava agradável, um pouco fria, com um céu límpido e bonito, além da palestra ao ar livre, como sempre faziam, os astros observados foram a Lua e o planeta Saturno... Hoje o Observatório está fechado e nem mesmo os últimos responsáveis por ele nos quase últimos vinte anos, Fábio Pires e Vitorio Zago, amigos há três décadas, podem entrar. Eles receberam naquele privilegiado espaço desde visitantes curiosos e leigos, hospedados no hotel, até escolas do ensino fundamental e médio da região e também de outras cidades e estados. Muitos estrangeiros também. Grupos de Astronomia da região, como o Aster, o Aglomerado Aberto (GA3), o REA, o CASP e outros, ­ 45 ­ História do Hotel Fazenda Solar das Andorinhas. No período colonial, o governo português concedeu sesmarias à portugueses para incentivar o desenvolvimento do Brasil. Assim receberam terras em 6 de outubro de 1796, o Capitão Mor Inácio Ferreira de Sá e em 20 de outubro de 1798, o Capitão Mor da Vila de São Carlos Floriano Camargo Penteado. O Capitão Mor Inácio teve um filho chamado Joaquim Ferreira Penteado, que tornou­ se comendador e recebeu o título de “Barão de Itatiba”. O Capitão Mor Floriano, que era tioavô de Joaquim, teve uma filha chamada Francisca de Paula Camargo, conhecida como Dona Francisca. O Barão de Itatiba casouse com sua prima Dona Francisca, em 15 de maio de 1830, unindo assim parte das sesmarias e fundando a Fazenda Duas Pontes. O décimo terceiro filho do casal, Sr. Inácio de Ferreira Camargo Andrade casouse com Dona Brandina Emilia Leite Penteado e foi o herdeiro da Fazenda Duas Pontes. Porém, em uma das viagens para a Europa, o Sr. Inácio contraiu uma doença e faleceu ainda jovem. O casal não teve filhos e D. Brandina, ainda moça, ficou viúva e muito rica. D. Brandina casouse com Artur Furtado Albuquerque Cavalcanti, que possuía o título de “Desembargador Furtado”. Passando o mesmo a ser o novo proprietário da Fazenda. Artur Furtado procurou beneficiar a Fazenda com melhoramentos e muitas obras suntuosas, ainda hoje existentes, tais como a Roda D’Água, a Serraria e o Moinho de Fubá. Ele fazia questão de colocar as iniciais de seu nome “AF” em suas obras, inclusive nos tijolos. Feito este que ainda hoje podemos observar. Para tantas obras, Artur Furtado gastou desordenadamente, contraindo enormes dívidas e acabou sendo executado por credores. A Fazenda foi levada à leilão e arrematada pelo Coronel Cristiano Osório de Oliveira por aproximadamente 600 contos de réis. Ele era um habilidoso administrador e transformou a Fazenda numa das principais propriedades agrícolas de Campinas, com magníficas lavouras, criações de animais de raça e belas instalações. Chegou a produzir cerca de 100.000 sacas de café por ano, escoando a produção pela estação de trem de nome Tanquinho e pela Estação de Carlos Gomes, pertencentes à Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, cujos trilhos correm até hoje nas proximidades do Hotel. Com a morte do Coronel, a Fazenda ficou para seus herdeiros, que decidiram dividir as terras e vender a área de aproximadamente dez alqueires onde se localiza a Casa Grande. A Fazenda ficou abandonada por dez anos. Finalmente em 1971, o Engenheiro Roberto Ceccarelli, empresário de extraordinária visão, e sua esposa Sra. Lúcia Fanele Ceccarelli, compram a Fazenda Duas Pontes e juntos a transformam em Hotel Fazenda, batizado como “Hotel Fazenda Solar das Andorinhas”. Em agosto de 2017, o hotel foi à falência e ficou com seu futuro incerto. Ele ainda preserva seu estilo colonial e sua história.