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A INDÚSTRIA AUTOMÓVEL E O AMBIENTE
Texto: Ricardo Furtado Diretor-Geral da Valorcar
A indústria automóvel é hoje indiscutivelmente um líder tecnológico mundial e há muito que assimilou o compromisso da mobilidade sustentável nas suas estratégias de negócio.
Anualmente, gasta biliões de Euros em I & D, o que faz dela o maior financiador europeu a este nível, sendo grande parte deste valor direccionado para o desenvolvimento de produtos cada vez mais“ limpos” e ambientalmente equilibrados.
Este esforço tem-se reflectido em melhorias ambientais profundas, sendo a redução das emissões atmosféricas apenas uma parcela de toda esta equação, que passa também pela diminuição de recursos consumidos, pela generalização do eco-design, pela redução do impacte ambiental das fábricas( a esmagadora maioria delas são ambientalmente certificadas), pela optimização logística de toda a cadeia de distribuição evitando desperdícios, pela introdução de motores mais silenciosos e mais eficientes do ponto de vista do consumo, pelo desenvolvimento de bio-combustíveis e de fontes energéticas alternativas. Simultaneamente, existe uma outra vaga de fundo menos mediática, mas igualmente imparável, que está a tornar o“ coração” dos nossos carros cada vez mais verde. Esta tendência diz respeito aos materiais utilizados, onde a inovação é também a palavra de ordem nos dias de hoje.
De facto, nos últimos anos, a indústria automóvel tem vindo a apostar nos chamados biomateriais, produzidos a partir de fibras ou outras substâncias naturais, como alternativa ecológica aos materiais convencionais. Neste âmbito, a soja e a fibra de linho têm vindo a ser utilizados com maior frequência, mas é cada vez mais frequente encontrar no interior dos nossos carros algodão, cana-de-açúcar, cânhamo, coco e castanha de caju, entre outros.
Por exemplo, o BMW i3 utiliza fibra de kenaf( uma planta tropical) no forro das portas. Os novos Land Rover incorporam bioplásticos produzidos com espigas de milho e cascas de nozes na cobertura do tejadilho e nos frisos das portas. No Jaguar F-Type, este mesmo material é utilizado como cobertura da zona
De facto, nos últimos anos, a indústria automóvel tem vindo a apostar nos chamados biomateriais, produzidos a partir de fibras ou outras substâncias naturais, como alternativa ecológica aos materiais convencionais. de carga que protege a roda sobressalente. Já o Kia Soul EV usa bioplásticos com base de cana-de-açúcar e celulose nos painéis das portas, forro do tejadilho, tecido dos assentos, pilares de suporte do tejadilho e nos tapetes. Por outro lado, praticamente todos os modelos novos que são actualmente lançados no mercado possuem componentes produzidos a partir de materiais reciclados. A este nível, o aço e o plástico são os materiais reutilizados com maior frequência, mas também é possível encontrar alumínio e outros metais, papel / cartão, fibras têxteis, borrachas e resinas, entre outros. Os principais componentes produzidos com recurso a estes materiais reciclados são o revestimento dos bancos, os guarda-lamas, o material de isolamento sonoro, os pára-choques, a cobertura da zona de bagagem e do compartimento do pneu sobressalente e a consola frontal e central.
Por exemplo, o Nissan Qashqai incorpora 50kg de plásticos reciclados e todos os modelos da Renault em comercialização contêm 30 % de material reciclado. O VW Golf e o Audi A3 incorporam papel reciclado no piso da bagageira e o Mercedes Classe C utiliza plástico reciclado em 52 componentes, incluindo o forro do compartimento da roda sobressalente e os pára-choques.
No que diz respeito ao futuro, estou certo que a indústria não deixará de assumir as suas responsabilidades e continuará fortemente empenhada em contribuir para a criação de uma economia de baixa intensidade carbónica e que privilegie a utilização sustentável dos recursos.
Não obstante, é importante não esquecer que este é um desafio que exige a conjugação de esforços, pois a tecnologia não tem todas as soluções. Em particular, é necessário que o Estado desenvolva redes viárias correctamente projectadas que permitam o fluxo harmonioso do tráfego, interfaces modais adequadas, programas de promoção da eco-condução e de uma sociedade de consumo ambientalmente responsável, bem como uma política fiscal adequada. •
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