ENTREVISTA
‘Rio 2 é sobre
nossas escolhas’
O diretor Carlos Saldanha diz ver diálogo entre o enredo do filme e a
situação política e social do Brasil.
C
Por EDUARDO GRAÇA
arlos Saldanha é o profissional brasileiro de maior notoriedade no cinema americano contemporâneo.
Desde 1991 radicado na costa leste dos EUA, ele recusou convite de grandes estúdios – leia-se Disney e Pixar –
para se associar ao Blue Sky, localizado em Connecticut e responsável por sucessos da animação computadorizada
como a franquia A Era do Gelo (ele é um dos diretores do primeiro filme). Nada se comparou à explosão, há três anos, de Rio. O filme, centrado na história de duas araras-azuis e com a Cidade Maravilhosa como personagem, estava há tempos na cabeça do diretor carioca de 45 anos. Com cara de menino, ele apresentou pela primeira vez para
a imprensa internacional trechos da sequência Rio 2, a partir de hoje nos cinemas brasileiros, em um evento de
negócios do mundo do audiovisual europeu em Barcelona, no fim de junho, bem no momento em que os protestos
de rua no Brasil despertavam a curiosidade de jornalistas e executivos sobre o momento político e social do paíssede da Copa do Mundo.
Rio 2 é fruto dos 484 milhões de dólares de bilheteria mundial de Rio, mas desta vez o cenário principal é a Amazônia. O enredo gira em torno da viagem das araras-azuis Blu (cuja voz nos EUA é de Jesse Eisenberg, e na versão
dublada para o português de Rodrigo Santoro) e Jade em busca de um mundo mais selvagem, longe da vida tranquila, mas limitadora, da domesticidade carioca. Temas como a preservação da floresta e a união dos oprimidos para
enfrentar os mais fortes são discutidos de forma leve, embalados pela música imaginada, uma vez mais, por Sérgio
Mendes e Carlinhos Brown, em um mix de ritmos regionais e acenos ao pop em composições de dois fãs de Rio, o
filme, e da cidade também, Janelle Mónae e Bruno Mars. Abaixo, os melhores trechos da conversa exclusiva de Saldanha.
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