atómica maio de 2026 | Page 47

            A evolução especulativa, para além do seu carácter de entretenimento, pode ser usada como uma ferramenta educacional muito útil na exploração e apresentação de padrões relativos ao presente e ao passado. Extrapolando as tendências passadas para o futuro, os cientistas podem pesquisar e prever os cenários mais prováveis de como certos organismos e linhagens podem responder a mudanças ecológicas.

São disso um bom exemplo, no filme “Avatar” de James Cameron, a fauna e flora de Pandora, cujas criaturas adaptadas à baixa gravidade criam conexões neurológicas com o ambiente.

Ainda que a ficção se inspire na realidade, o contrário, não sendo verdadeiro, quase o parece.

Em 2012, no livro “All Yesterdays“ de John Meszaros, C.M. Kösemen e Darren Naish foram idealizadas novas criaturas, nomeadamente um anomalocarídeo, semelhante a um camarão gigante que, apesar de ser um predador, apenas filtrava plâncton. Apesar de se conhecerem seres semelhantes, esta característica era inusitada num predador. Nas ilustrações de C.M. Kösemen foi antecipada a existência dessa espécie, Tamisiocaris borealis, cuja presença nos mares primitivos do período Cambriano (cerca de 485 a 540 milhões de anos atrás) veio a ser comprovada em 2014, graças a registos fósseis.

Sendo um exercício teórico interessante, a evolução especulativa ainda permite refletir sobre o nosso próprio futuro. Será que somos apenas uma efeméride na história da Terra, destinados a ser unicamente o substrato de uma formação geológica, ou iremos herdar as estrelas, isto se as estrelas já não tiverem sido herdadas. ◼