atómica maio de 2026 | Page 33

Ann Tsukamoto é uma investigadora norte-americana que desempenhou um papel importante no estudo das células estaminais hematopoiéticas, responsáveis pela formação de todas as células sanguíneas no corpo humano. Em 1991, Tsukamoto fez parte da equipa que identificou e isolou estas células em seres humanos. Esta conquista foi extremamente significativa, uma vez que, antes disso, os cientistas conheciam a existência destas células, mas não conseguiam distingui-las nem estudá-las de forma eficaz. Graças ao trabalho de Tsukamoto, tornou-se possível melhorar técnicas médicas como o transplante de medula óssea, utilizado no tratamento de doenças graves como a leucemia, linfomas e outras doenças do sangue. Além disso, a sua investigação abriu caminho para o desenvolvimento da medicina regenerativa, que procura reparar tecidos e órgãos danificados, podendo, no futuro, ajudar no tratamento de doenças como a doença de Parkinson ou lesões na medula espinal.

Na área da matemática e da programação, houve descobertas e contributos de várias mulheres, entre elas Ada Lovelace, considerada a primeira programadora de computadores. Desde pequena, a sua avó garantiu-lhe uma boa educação, escolhendo uma governanta para lhe ensinar história, literatura, línguas, geografia, música, química, costura, matemática e equitação. Na adolescência, foi para Londres com a sua mãe, onde compareceu em várias festas. Numa delas, organizada pelo matemático e inventor Charles Babbage, este, impressionado pelo conhecimento matemático da jovem, convidou-a a ela e à mãe a regressarem no dia seguinte para uma demonstração do seu novo protótipo de uma máquina de cálculo mecânica automatizada, conhecida como Máquina Diferencial. Esta máquina utilizava apenas adição e subtração, mas conseguia realizar cálculos complexos e imprimir os resultados em forma de tabela. Este contacto aumentou ainda mais o interesse de Lovelace pela matemática, levando-a a corresponder-se com Babbage enquanto continuava os seus estudos.

Em 1835, Lovelace conheceu William King, com quem casou meses depois. Durante os anos que se seguiram, o seu tempo foi maioritariamente dedicado aos seus três filhos. Em 1839, decidiu retomar de forma séria o estudo da matemática, iniciando formação sob a orientação de Augustus De Morgan, professor na University College London.

Lovelace continuou a interagir com Babbage, que viajou para Itália para apresentar a sua nova invenção, a Máquina Analítica. Embora Babbage nunca tenha publicado formalmente o seu trabalho, o professor Luigi Menabrea escreveu o texto “Esboço da Máquina Analítica”, baseado nas notas das suas palestras, publicado em 1842.

Quando Lovelace leu o artigo, originalmente em francês, decidiu traduzi-lo para inglês e submetê-lo para publicação em Inglaterra. Nos meses seguintes, trabalhou intensamente, mantendo correspondência com Babbage. Nas suas notas, descreveu uma metodologia para utilizar a Máquina Analítica no cálculo dos números de Bernoulli, considerada hoje o primeiro algoritmo computacional. Percebeu também que as máquinas poderiam ir além do simples cálculo numérico, realizando operações simbólicas, antecipando ideias que viriam a estar na base da computação moderna.

Annie Easley, por sua vez, foi uma engenheira informática, matemática e cientista espacial. Iniciou a sua carreira na NACA (National Advisory Committee on Aeronautics), em 1955, realizando cálculos à mão, como um “computador humano”. Na altura, era uma de apenas quatro pessoas afro-americanas entre cerca de 2500 trabalhadores. Assistiu à transição da NACA para a NASA e trabalhou nas instalações de Cleveland. Com a introdução dos computadores, tornou-se programadora, utilizando linguagens como Fortran e SOAP em diversos projetos da NASA. Desenvolveu e implementou código utilizado na investigação de sistemas de conversão de energia, incluindo estudos sobre baterias para veículos híbridos e sistemas associados ao foguetão Centaur.

Nos anos 70, retomou os estudos e concluiu uma licenciatura em matemática enquanto trabalhava a tempo inteiro. Mais tarde, desempenhou também funções como técnica de igualdade no emprego, ajudando a resolver questões relacionadas com discriminação de género, etnia e idade. Já no campo da física e da química, destacam-se outras mulheres, como Dorothy Crowfoot Hodgkin, que utilizou a cristalografia de raios X para determinar a estrutura de moléculas como a penicilina, a vitamina B12 e a insulina.

Já no campo da física e da química, destacam-se outras mulheres, como Dorothy Crowfoot Hodgkin, que utilizou a cristalografia de raios X para determinar a estrutura de moléculas como a penicilina, a vitamina B12 e a insulina. Desde jovem, interessou-se por cristais, um interesse que a levou a estudar química na Universidade de Oxford. Durante o doutoramento, integrou o laboratório de J. D. Bernal, na Universidade de Cambridge, onde se demonstrou pela primeira vez que moléculas orgânicas podiam ser cristalizadas.

Inspirada por esse trabalho, Hodgkin iniciou o estudo da estrutura da insulina, mas interrompeu-o para se dedicar à penicilina, devido à urgência associada à Segunda Guerra Mundial. Ao longo da sua carreira, conseguiu determinar estruturas moleculares cada vez mais complexas, contribuindo significativamente para o desenvolvimento da bioquímica e da medicina. O seu trabalho teve impacto direto na produção de penicilina, no tratamento da anemia através da vitamina B12 e no avanço do conhecimento sobre a insulina, essencial para o tratamento da diabetes. Para além das aplicações práticas, expandiu os limites da cristalografia de raios X e do conhecimento científico.