Em 1835, Lovelace conheceu William King, com quem casou meses depois. Durante os anos que se seguiram, o seu tempo foi maioritariamente dedicado aos seus três filhos. Em 1839, decidiu retomar de forma séria o estudo da matemática, iniciando formação sob a orientação de Augustus De Morgan, professor na University College London.
Lovelace continuou a interagir com Babbage, que viajou para Itália para apresentar a sua nova invenção, a Máquina Analítica. Embora Babbage nunca tenha publicado formalmente o seu trabalho, o professor Luigi Menabrea escreveu o texto “Esboço da Máquina Analítica”, baseado nas notas das suas palestras, publicado em 1842.
Quando Lovelace leu o artigo, originalmente em francês, decidiu traduzi-lo para inglês e submetê-lo para publicação em Inglaterra. Nos meses seguintes, trabalhou intensamente, mantendo correspondência com Babbage. Nas suas notas, descreveu uma metodologia para utilizar a Máquina Analítica no cálculo dos números de Bernoulli, considerada hoje o primeiro algoritmo computacional. Percebeu também que as máquinas poderiam ir além do simples cálculo numérico, realizando operações simbólicas, antecipando ideias que viriam a estar na base da computação moderna.
Annie Easley, por sua vez, foi uma engenheira informática, matemática e cientista espacial. Iniciou a sua carreira na NACA (National Advisory Committee on Aeronautics), em 1955, realizando cálculos à mão, como um “computador humano”. Na altura, era uma de apenas quatro pessoas afro-americanas entre cerca de 2500 trabalhadores. Assistiu à transição da NACA para a NASA e trabalhou nas instalações de Cleveland. Com a introdução dos computadores, tornou-se programadora, utilizando linguagens como Fortran e SOAP em diversos projetos da NASA. Desenvolveu e implementou código utilizado na investigação de sistemas de conversão de energia, incluindo estudos sobre baterias para veículos híbridos e sistemas associados ao foguetão Centaur.
Nos anos 70, retomou os estudos e concluiu uma licenciatura em matemática enquanto trabalhava a tempo inteiro. Mais tarde, desempenhou também funções como técnica de igualdade no emprego, ajudando a resolver questões relacionadas com discriminação de género, etnia e idade. Já no campo da física e da química, destacam-se outras mulheres, como Dorothy Crowfoot Hodgkin, que utilizou a cristalografia de raios X para determinar a estrutura de moléculas como a penicilina, a vitamina B12 e a insulina.
Já no campo da física e da química, destacam-se outras mulheres, como Dorothy Crowfoot Hodgkin, que utilizou a cristalografia de raios X para determinar a estrutura de moléculas como a penicilina, a vitamina B12 e a insulina. Desde jovem, interessou-se por cristais, um interesse que a levou a estudar química na Universidade de Oxford. Durante o doutoramento, integrou o laboratório de J. D. Bernal, na Universidade de Cambridge, onde se demonstrou pela primeira vez que moléculas orgânicas podiam ser cristalizadas.
Inspirada por esse trabalho, Hodgkin iniciou o estudo da estrutura da insulina, mas interrompeu-o para se dedicar à penicilina, devido à urgência associada à Segunda Guerra Mundial. Ao longo da sua carreira, conseguiu determinar estruturas moleculares cada vez mais complexas, contribuindo significativamente para o desenvolvimento da bioquímica e da medicina. O seu trabalho teve impacto direto na produção de penicilina, no tratamento da anemia através da vitamina B12 e no avanço do conhecimento sobre a insulina, essencial para o tratamento da diabetes. Para além das aplicações práticas, expandiu os limites da cristalografia de raios X e do conhecimento científico.