atómica maio de 2026 | Page 17

Momentos em gravidade ZERO!

Miguel Virgílio tem 16 anos e estuda Ciências e Tecnologias nos Salesianos de Manique, sendo finalista no concurso “Astronauta por um Dia”, na edição de 2025. Decidimos entrevistá-lo e descobrir um pouco mais sobre a sua experiência e o que é o concurso.

Maria: Como teve conhecimento do concurso?

Miguel: Foi pela televisão, por uma reportagem que passou acerca da edição anterior à minha. Fui investigar um pouco o que era, através das redes sociais e da internet. Descobri que se tratava de um programa extremamente interessante, resolvi candidatar-me e tentar a minha sorte. Já desde pequeno que tenho grande interesse pelo espaço. Sempre foi algo que me interessou: ter aqueles telescópios, olhar para as estrelas fascinava-me, por isso, quando vi este concurso, a ideia de sentir a gravidade zero, o que os astronautas sentem, fiquei logo motivado para poder também participar.

Maria: Como foi o processo de seleção?

Miguel: Envolve cinco fases diferentes. Começa por um vídeo de seleção, de 45 segundos, onde tens de te apresentar, e então selecionam 250* candidatos. Passa-se para uma fase de provas de raciocínio, velocidade de raciocínio e memória, que são, digamos, “puxadas”, e que selecionam 100* candidatos. A seguir há provas físicas, que também são importantes e servem para selecionar possíveis futuros astronautas em programas reais da ESA ou da NASA. Por fim temos entrevistas e temos, também, de apresentar propostas enquanto embaixadores, que é o papel que eu estou a desempenhar agora.

Maria: Quais foram os seus sentimentos durante todo o processo de seleção e do voo?

Miguel: Bom, durante o processo de seleção vive-se um pouco uma mistura entre o nervosismo habitual de quem quer passar as diferentes fases e não sabe bem ao que vai. Mas também é uma alegria enorme, porque a realidade é que já ter o privilégio de passar por essas fases de seleção é bastante bom: são os mesmos processos usados para selecionar também os astronautas da ESA, e por isso é já um privilégio poder participar neles. É um misto de nervosismo e alegria. No voo em si, é fascinante estar a sentir primeiro a hipergravidade, que é exatamente o oposto de não ter gravidade nenhuma, ou seja, quando sentimos o dobro da força gravítica da Terra é um momento único quando se sente pela primeira vez, e depois ficar então a flutuar, isso é indescritível, acho que não há uma palavra para o descrever.

Maria: Como é que se sentiu quando descobriu que foi selecionada na última fase?

Miguel: Senti-me profundamente alegre, vou confessar que, até aos testes físicos, não acreditava muito que fosse ser selecionado no meio de tanta gente, nunca tive assim grandes esperanças, pensei sempre que um não era garantido. Nas provas físicas comecei a ter mais confiança em que podia passar e que isto podia ser mesmo um sonho a tornar-se realidade. Quando fui selecionado senti uma alegria enorme, estava com os meus pais, recebi o e-mail a dizer que tinha sido selecionado e foi uma festa.

Maria: O que achou mais difícil durante o concurso todo?

Miguel: Acho que todas as fases têm os seus desafios. Depende da personalidade de cada um determinar qual vai ser a prova mais difícil. Acho que as provas físicas para mim não foram assim grande problema. Havia exercícios que, claro, nunca tinha visto na minha vida, porque são próprios para selecionar possíveis astronautas. Mas penso que as provas de raciocínio e memória rápida foram um pouco complicadas, embora tenha passado com distinção, mas acho que é uma fase complicada. A entrevista depende também da personalidade de cada um, quem é mais tímido, quem é mais introvertido, pode ter alguma dificuldade nesse campo, acho que também que não foi uma grande dificuldade para mim. O vídeo em 45 segundos precisou de várias tentativas para conseguir ficar com o tempo certo, isso, sim, é bastante difícil.