Tendo 16 ou 17 anos, pode parecer-te estranho imaginar que, ainda há pouco mais de 70 anos, existiam animais que o mundo mal conhecia, como o dragão-de-Komodo, ou regiões inteiras praticamente inexploradas, como certas áreas de Madagáscar e os ecossistemas marinhos (estes, ainda hoje, muito pouco explorados). Mas houve quem estivesse lá para filmar esses momentos e partilhá-los com o mundo. E foram esses documentários que inspiraram gerações inteiras de jovens aventureiros e curiosos ou futuros cientistas.
Um desses exploradores é David Attenborough, nascido em 1926 e hoje com 98 anos. Através da icónica série "Zoo Quest", exibida pela primeira vez na década de 1950, Attenborough levou os espectadores numa viagem pelo planeta, mostrando animais e ecossistemas que muitos nem sabiam que existiam. Com uma paixão contagiante pela natureza, tornou-se uma das figuras mais respeitadas na divulgação científica.
Outro nome que marcou a televisão e a ciência foi o do oceanógrafo francês Jacques Cousteau (1910–1997). Cousteau inovou ao criar equipamentos de mergulho que permitiram explorar os oceanos como nunca antes. As suas filmagens subaquáticas, muitas delas transmitidas entre as décadas de 60 e 90, inspiraram jovens por todo o mundo a sonhar com o mar e com a ciência. Para muitos, o sonho de ser biólogo marinho começou com a imagem de Cousteau a nadar agarrado ao dorso de uma raia manta!
Nos anos 80, a ciência ganhou uma nova linguagem com a série "Cosmos: A Personal Voyage" (1980), apresentada pelo astrofísico e escritor Carl Sagan. Com 13 episódios, esta série revolucionou a forma como se falava de ciência na televisão, misturando astronomia, biologia, história e filosofia, com efeitos visuais inovadores para a época. Falava da origem da vida, do lugar da Terra no universo, da evolução das espécies, e fazia tudo isto de forma poética e acessível.
Décadas mais tarde, em 2014, surgiu "Cosmos: A Spacetime Odyssey", uma continuação da série original, apresentada pelo astrofísico Neil deGrasse Tyson, um dos maiores comunicadores de ciência da atualidade. E, em 2020, chegou "Cosmos: Possible Worlds", que explora as possibilidades do futuro da humanidade e da vida noutros planetas.
Outra série fascinante que marcou a televisão foi "Arthur C. Clarke’s Mysterious World" (1980), apresentada pelo famoso escritor de ficção científica Arthur C. Clarke conhecido por títulos como “2001, odisseia no espaço”. Ao longo dos episódios, Clarke explora fenómenos inexplicáveis, desde criaturas lendárias a acontecimentos científicos envoltos em mistério. Combinando curiosidade científica com uma mente aberta, a série convida os espectadores a questionarem o desconhecido, equilibrando o ceticismo com a imaginação.
Na geologia também há aventureiros, representados no seu expoente máximo (ou temerário) pelos corajosos vulcanólogos franceses Katia e Maurice Krafft, que percorriam o mundo para filmar e estudar vulcões ativos. O celebrado realizador Werner Herzog homenageou a extraordinária coragem destes dois cientistas no documentário "The Fire Within: A Requiem for Katia and Maurice Krafft" (2022), onde as imagens captadas pelo casal são tão belas quanto arrepiantes. Herzog, que já tinha utilizado imagens deles no documentário "Into the Inferno", presta aqui uma comovente homenagem ao seu legado. Mas, se preferires um documentário mais convencional, poderás optar por "Fire of Love", lançado no mesmo ano.
Hoje, a ciência continua a evoluir, e rapidamente. A biologia, por exemplo, está a transformar-se numa ciência computacional. Sabias que já é possível prever a estrutura de proteínas apenas com inteligência artificial (IA)? Isso poderá mudar tudo na forma como se desenvolvem medicamentos, se compreendem doenças ou se criam novos materiais. Um vídeo curto, disponível no YouTube ("How AI cracked the protein folding code and won a Nobel Prize"), mostra como ferramentas desenvolvidas pelos investigadores Demis Hassabis e John Jumper, da DeepMind, e David Baker, da Universidade de Washington, estão a revolucionar a biologia com IA. Estas inovações valeram aos três o Prémio Nobel da química em 2024.
Outras propostas incluem um documentário sobre um dos temas na ordem do dia, a desextinção, que levanta importantes questões éticas e ecológicas: devemos realmente trazer espécies extintas de volta? Outro explora o incrível mundo dos tardígrados, minúsculos animais com capacidades de sobrevivência quase sobrenaturais, capazes de resistir à radiação, ao vácuo e a temperaturas extremas. Não menos fascinante é o universo invisível dos fungos, seres que formam redes subterrâneas de comunicação e que estão a transformar a forma como percebemos os ecossistemas. E, se gostaste do artigo sobre o Homo floresiensis, um documentário da National Geographic leva-nos a descobrir esta enigmática espécie humana extinta, de pequena estatura, que levanta novas hipóteses sobre a evolução da nossa própria espécie.
Estes documentários não são apenas histórias sobre ciência, são viagens visuais, emocionais e intelectuais, que nos mostram como o mundo é vasto e como o nosso conhecimento pode sempre crescer.