atómica maio de 2025 | Page 24

Missões lunares

A exploração da Lua tem sido uma das maiores aventuras da humanidade. Desde os anos 1950 até à atualidade, várias missões de diferentes países contribuíram para o nosso conhecimento do satélite natural da Terra. Destacamos algumas:

A União Soviética foi pioneira na exploração lunar, com o Programa Luna (1959–1976). A primeira sonda a atingir a superfície da Lua foi a Luna 2 e a sonda Luna 3 captou as primeiras imagens do lado oculto da Lua. O primeiro pouso suave controlado na superfície lunar foi da sonda Luna 9 e outras missões deste programa recolheram amostras do solo lunar e trouxeram-nas de volta à Terra.

O Programa Apollo (1961–1972), dos Estados Unidos da América, foi responsável por levar os primeiros humanos a caminhar na Lua. Na missão Apollo 11, em 1969, os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin deram os primeiros passos em solo lunar. As missões Apollo 12, 14, 15, 16 e 17 foram missões tripuladas com objetivos científicos e incluíram o uso de veículos lunares. A missão Apollo 13 foi uma missão dramática, que sofreu uma avaria, mas terminou com o regresso seguro da tripulação. [Nota: a história desta missão originou um filme que aconselhamos ver, realizado por Ron Howard em 1995. Foi esta missão que tornou célebre a frase: “Houston, we have a problem.”]

Também o programa lunar chinês tem tido grande sucesso. A missão Chang’e 4 foi a primeira missão a pousar no lado oculto da Lua, em 2019.

Num futuro próximo, está previsto o regresso da humanidade à Lua, no programa Artemis, liderado pela agência espacial dos Estados Unidos da América, a NASA.

E viver na Lua, será possível?

Em teoria, é possível viver na Lua. No entanto, há muitas limitações. A Lua é extremamente hostil à vida humana, senão vejamos:

·         A temperatura pode variar de +120 °C (durante o dia) a -130 °C (à noite).

·         A gravidade é cerca de 1/6 da gravidade terrestre — o que afeta a saúde a longo prazo (ossos, músculos, circulação).

·         Não existe atmosfera respirável, nem proteção contra radiação solar e cósmica.

·         A poeira lunar (regolito) é muito abrasiva e potencialmente tóxica se inalada.

Uma futura base lunar terá de fazer uso de materiais locais (rególito lunar) para construção e ter uma proteção contra radiações e meteoritos (não esquecer que estes estão sempre a cair por lá!). Abaixo do solo seria mesmo a localização mais segura! A temperatura e ambientação terão de ser controladas. A energia de abastecimento da base terá que ser sustentável (painéis solares, energia nuclear) e será essencial haver produção de oxigénio e água. A localização no polo Sul, por exemplo, será uma boa hipótese devido à presença de gelo nesse local. Terá que existir um corredor de abastecimento Terra-Lua, com transporte de bens essenciais de forma regular. E, claro está, a saúde e bem-estar dos habitantes/astronautas a longo prazo será muito importante, não esquecendo a iluminação simulada para manter o ritmo circadiano, sessões de exercício obrigatórias em ginásios adaptados, para combater a perda de massa óssea e muscular e apoio psicológico regular. Enfim, não será um empreendimento fácil, mas será, com certeza, um desafio aos mais aventureiros!

Imagem de fundo: conceito de textura da Lua obtido no Freepik