O Mais Recente e Melhorado Telescópio Espacial James Webb
Demorou à NASA e ESA 25 anos de pesquisa e desenvolvimento, mas finalmente, no Natal de 2021, foi lançado ao espaço o telescópio espacial James Webb (JWST), a partir da Guiana Francesa a bordo do foguete Ariane 5.
O ambicioso projeto teve um financiamento de 10 mil milhões de dólares, e vê a luz no espetro infravermelho. É frequentemente comparado ao telescópio Hubble, no entanto, os dois telescópios complementam-se.
A escolha do infravermelho como espetro primário deste telescópio não é ao acaso: esta radiação ultrapassa poeiras espaciais, obtendo-se imagens muito mais nítidas e reveladoras do que o telescópio Hubble, que capta na sua maioria luz visível. Além disso, devido à expansão do universo a luz experiencia o efeito doppler, ou seja, como a fonte se está a afastar do observador a luz sofre um desvio para o vermelho (redshift), passando a manifestar um comprimento de onda maior. Assim, os acontecimentos espaciais mais antigos, como galáxias ou supernovas primordiais, chegam-nos na forma de luz infravermelha, literalmente a ver o tempo a fugir. Deste modo, o JWST permite-nos explorar o Universo em maior profundidade.
A engenharia por detrás do telescópio é imensa e complexa. Tem 4 segmentos diferentes: O icónico espelho primário com 6,5 metros de tamanho, dividido em 18 hexágonos revestidos em ouro; o secundário, situado à frente do centro do primário, para onde a luz reflete do primário para os outros dois espelhos, que guiam a luz para os instrumentos de observação. A decisão de segmentar o espelho surgir de forma permitir colocar um espelho de dimensões tão grandes no foguetão Ariane 5, dividindo-o em três grandes secções, cujas laterais foram desdobradas quando o telescópio se tornou operacional. Outra vantagem desta decisão é que assim os espelhos poderiam, assim que chegassem a L2, alinhar e colimar-se automaticamente.
São quatro os instrumentos de observação do Webb: Uma câmara de infravermelhos perto do espetro da luz visível, a NIRcam, uma câmara de infravermelhos do meio do espetro a MIRIcam, uma câmara de apoio ao foco, a FGS/NIRISS e um espectrógrafo, o NIRSpec.
Os instrumentos do Webb têm de ser mantidos a temperaturas extremamente baixas, o que não é fácil, vistos que o telescópio está em constante bombardeamento pela radiação do Sol. Foi um desafio enorme, de acordo com os cientistas, desenvolver o escudo solar. Este escudo, do tamanho de um campo de ténis, permite manter uma grande diferença de temperaturas, o lado do escudo virado para o Sol está a 85ºC, enquanto o lado do espelho e dos instrumentos científicos mantêm-se a uma temperatura de -233ºC.
Finalmente, o telescópio está a orbitar no segundo ponto de Lagrange (L2), um ponto de equilíbrio gravitacional no sistema Sol-Terra onde a força gravitacional do Sol e da Terra se equilibram com a força centrífuga de um objeto em órbita. □