atómica maio de 2025 | Page 14

O paradoxo do avô, é talvez o mais conhecido e intuitivo. Consiste na possibilidade de viajar ao passado e realizar uma ação que impeça a própria existência do viajante, como matar o seu avô antes deste conhecer a avó. Se o avô morre antes de ter filhos, o viajante nunca nascerá e, portanto, não poderá viajar no tempo para cometer o ato, criando uma contradição lógica. Este paradoxo levanta questões sobre a consistência do tempo e a possibilidade de alterar eventos passados.

Nos últimos anos, alguns físicos, como Lorenzo Gavassino, sugeriram que é possível contornar este paradoxo combinando a relatividade geral, a mecânica quântica e a termodinâmica, de modo a garantir que qualquer tentativa de alterar o passado resultaria apenas em acontecimentos que já estavam previstos, mantendo a coerência da linha temporal.

 

O paradoxo “Vamos matar Hitler”, semelhantemente ao anterior, anula as razões para se viajar, com esse objetivo, ao passado. Este paradoxo surge da ideia de que, se tal sucedesse, não haveria qualquer razão para viajar no tempo: caso matasse Hitler, a sua influência na história nunca ocorreria, pelo que não faria sentido regressar ao passado.

O paradoxo Polchinski, do nome de um teórico norte-americano, de acordo com o qual, uma bola de bilhar que entrasse num “wormhole” (que o dicionário traduz, de forma deselegante, por “buraco de minhoca” ou “buraco de verme”), sairia do outro lado para impedir, desde logo, uma versão mais nova de si mesma de entrar nesse “wormhole”.

3. Há diversas hipóteses para responder a estas questões: a de que as viagens no tempo seriam simplesmente impossíveis, devido aos paradoxos que  inevitavelmente põem, e viemos examinando; por outro lado, alterar sucessivamente acontecimentos passados causaria outra linha de eventos que acabaria por levar à manutenção do presente; uma outra hipótese, que, aliás, tem estado a ser grandemente explorada na mais recente ficção científica, é a da existência de um multiverso; por fim, mais perturbadoramente, não deveríamos admitir que uma pessoa viajar para o passado implicaria que passasse a existir nessa linha temporal, e, portanto, a sua seria apagada?

 

4. Talvez pudéssemos pensar, em conclusão, que estes paradoxos não impugnam a hipótese de viajar no tempo. Tornam, em teoria, apenas o problema mais complexo. Mas só a prática, que não é “para amanhã”, a não ser que viajássemos até ao futuro (ainda que, para muitos, a solução devesse, até, ser “para ontem”, o que também não parece fácil) poderia mostrar até que ponto estes paradoxos se poriam realmente, ou são meros jogos lógicos de quem não tem a mais pálida ideia de como tornar estas viagens fazíveis. ◼️