PODEREMOS VOLTAR ATRÁS NO TEMPO
E EMENDAR OS NOSSOS ERROS?
José Pacheco, Letícia Carreteiro, Margarida Silva e Rodrigo Duarte
Referimos este filme, porque a possibilidade que a história ilustra, não deixa de ser aliciante. Conscientes dos nossos erros, de opções que só mais tarde se vieram a revelar desastrosas (infelizmente, quando já não conseguiríamos revertê-las), de promessas que nunca deveríamos ter feito, de palavras que melhor teria sido calarmos, de confissões de que nos arrependemos amargamente ou de escolhas que nos estragaram um pouco a vida, imaginamos, muitas vezes, que seria bom se as apagássemos antes de as termos deixado acontecer. Se pudéssemos recuar e nunca os praticarmos.
2. Mas as viagens no tempo são possíveis? Teoricamente estamos a fazê-lo todos os dias, um segundo por segundo. Enquanto, na ficção científica, os protagonistas entram numa máquina para realizar a sua viagem no tempo, nós viajamos lentamente para o futuro, sem qualquer tipo de tecnologia. No entanto, as teorias sobre viagens no tempo baseiam-se todas na da relatividade, de Albert Einstein. Uma viagem no tempo consiste na movimentação de algo por diferentes pontos ao longo do tempo. Tecnicamente falando, se conseguíssemos criar um foguete suficientemente veloz poderíamos viajar para o futuro, mas esta não seria a única forma de o fazer. Grandes astros com grandes massas mudam o espaço-tempo, fazendo com que o tempo passe mais devagar na sua proximidade. Por exemplo, caso conseguíssemos pôr um individuo num foguete relativamente perto de um buraco negro, o tempo passaria mais devagar para esse individuo, ainda que os relógio que possuísse continuassem a progredir segundo a segundo, para alguém longe do buraco negro, ele estaria parado. Então, como é que sabemos que as viagens no tempo são possíveis? Em 1915 foi publicada a teoria da relatividade, por Albert Einstein, que sustenta que o espaço e o tempo estão interligados. Defende também que nada pode viajar mais rapidamente do que a luz. Na teoria, quanto mais depressa nos movermos, mais lenta será a nossa percepção do tempo.
No entanto, não podemos esquecer os paradoxos que existem relativamente a essa ideia, apesar de se porem mais vulgarmente a propósito de viajar para o passado.
O paradoxo ontológico (Bootstrap Paradox), também conhecido como paradoxo de Bootstrap, é um dos mais intrigantes porque desafia a própria noção de origem. Neste cenário, um objeto, informação ou pessoa é enviado para o passado e acaba por se tornar a sua própria causa de existência, formando um ciclo fechado de causalidade. Por exemplo, imagine um livro de física que é levado ao passado por um viajante do tempo e entregue a um jovem que, mais tarde, publica exatamente aquele livro, que será o mesmo que o viajante trará de volta ao passado. Assim, o livro existe, mas nunca foi realmente criado; a sua origem perde-se no loop temporal.
Este tipo de paradoxo está intimamente ligado ao chamado paradoxo da predestinação, onde todos os eventos parecem estar “escritos” e o livre-arbítrio é posto em causa. O princípio da autoconsistência de Novikov sugere que, nestes casos, a história não pode ser alterada: tudo o que o viajante fizer no passado já faz parte do passado tal como o conhece.