atómica maio de 2025 | Page 10

Esta afirmação, sem qualquer prova material nos vestígios estudados, foi amplamente rejeitada. Foi ainda possível vislumbrar aspetos do seu modo de vida.

Juntamente com as ossadas dos hominídeos, foram também encontrados vestígios de outros animais, nomeadamente peixes, pássaros, anfíbios, répteis e mamíferos. Os quais possivelmente fariam parte da alimentação dos hobbits.

Entre aqueles achados tem causado algum debate entre os cientistas a descoberta de ossos de Stegodon, uma espécie de elefante de pequenas dimensões, autóctone da ilha de Flores e já extinto que exibem marcas de ferimentos por objetos cortantes, podendo indicar que teriam sido caçados pelos hobbits. Os restos encontrados a pertencem a indivíduos juvenis, mais fáceis de capturar, dado que um Stegodon adulto poderia atingir meia tonelada de peso. Alguns investigadores defendem que esses restos não seriam resultado de caçadas, mas de uma prática necrófaga oportunista dos hobbits. Outra questão levantada pelos investigadores é que o consumo de Stegodon seria extremamente raro. Esta hipótese é alicerçada nos poucos vestígios encontrados e no perigo que uma carcaça de grandes dimensões poderia representar para o Homo floresiensis, pois atrairia certamente predadores de olfato apurado como os dragões-de-komodo.

Foram também encontrados vários utensílios de pedra, nomeadamente perfuradores, lâminas e outros objetos cortantes. Estes achados são ilustrativos das capacidades cognitivas do Homo floresiensis levantando ainda mais questões acerca destes hominídeos. Se por um lado, tinha características físicas que o recuavam no processo de evolução para perto dos Australopitecos, por outro lado manifestava capacidades cognitivas, cultura material e atributos físicos que o aproximavam do Homo erectus.

Não existem certezas acerca dos motivos para a extinção do Homo floresiensis. Várias hipóteses têm sido colocadas pelos cientistas, desde a intensa atividade vulcânica muito presente na Insulíndia, às alterações climáticas ou a chegada dos seres humanos modernos, mais inteligentes, versáteis e fortes.

O hobbit, juntamente com a descoberta subsequente de dois outros hominídeos que viveram há relativamente pouco tempo - o Homo naledi na África do Sul e o Homo luzonensis nas Filipinas desafiaram, mais uma vez, a visão clássica de que a evolução humana se desenrola numa linha reta, do primitivo ao complexo e separada de outras espécies.

 Esse trajeto, ilustrado na “Marcha do Progresso”, imagem associada de forma indelével à evolução, foi posto em causa pelas análises genómicas, ao revelarem um intercâmbio genético entre outras espécies e o Homo sapiens, comprovando o que os vestígios fósseis há muito indiciavam.

Sem lugar na “Marcha do Progresso”, ainda são mais as questões acerca dos hobbits da ilha de Flores do que as respostas.

 

Nota: LB1 (holótipo de Homo floresiensis): 1- primeira descoberta da espécie; LB-  no local de Liang Bua. ◼️