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Atrito: O Nome Que Não Deve Ser Pronunciado

O atrito é essencial para o controlo e o desempenho de qualquer veículo, transmitindo ao solo, através dos pneus, as forças do motor, dos travões e da direção, e assegurando estabilidade, segurança e resposta previsível para o piloto.

Um dos principais e mais difíceis desafios da engenharia automóvel, é encontrar o equilíbrio ótimo entre atrito, aderência, desgaste e eficiência.

Pneus mais largos aumentam a área de contacto com o solo. Uma área maior distribui melhor as forças exercidas pelo veículo e aumenta a aderência, ou grip. Em carros de alto desempenho, pequenas variações de aderência geram diferenças claras no controlo e no tempo por volta. Uma perda mínima de grip conduz ao deslizamento e à perda de controlo.

O composto do pneu influencia diretamente o atrito. Borrachas mais macias deformam-se com maior facilidade ao contacto com o asfalto e aderem às irregularidades microscópicas da pista. Assim, pneus macios oferecem maior aderência, mas desgastam-se mais depressa. Pneus duros fornecem menor aderência, mas mantêm desempenho estável durante mais voltas. Existem também compostos para a chuva, que oferecem uma aderência especial para esta condição de piso molhado. A temperatura dos pneus e o estado da pista determinam a eficácia do atrito e condicionam a estratégia de corrida, tal como o tipo de composto usado nos pneus.

Atualmente, o fornecedor de pneus é a Pirelli, que anuncia o tipo de composto que será fornecido a cada equipa em cada corrida.

Built Different: O Corpo do Piloto

Durante a condução, o piloto está sujeito a várias forças físicas intensas. Na aceleração longitudinal, o carro ganha velocidade em reta, puxando o piloto para trás. Na travagem, ocorre o inverso, a desaceleração gera forças elevadas no sentido oposto ao movimento, empurrando o piloto para a frente. A força sentida pelo piloto é dada por n vezes a força que o puxa à terra (ng), e em travagens fortes a desaceleração pode ultrapassar os 5g.

Nas curvas, atua a força centrípeta, responsável por manter o carro numa trajetória curvilínea. Quão maior a velocidade e downforce ou menor o raio da curva, maior a força exercida sobre o piloto. Um aumento da força entre os pneus e o asfalto permite maior aceleração lateral sem perda de aderência. Em curvas rápidas, os pilotos podem suportar lateralmente valores superiores a 6g.

A preparação de um piloto de Fórmula 1 é física e técnica, com uma aguçada memória muscular. É necessário conhecer ao pormenor as capacidades do carro e as curvas de cada um dos 24 circuitos usados em cada temporada, tal como afiar o tempo de reação para não se perder segundos na largada. Além das forças g antes descritas, o piloto está sujeito a forças verticais devido a irregularidades da pista e mudanças rápidas de carga aerodinâmica, acentuadas pelas altas velocidades. Estas variações exigem grande resistência física, especialmente ao nível do pescoço e do tronco.

A História e Rumo da Fórmula 1

          As competições de Fórmula 1 surgiram em 1950, sendo o desporto de automobilismo mais antigo do mundo, caracterizada pelo seu alto risco: 46 pilotos já morreram durante a sua prática. Por isso, atualmente este desporto é regulado pela Federation Internacionale de l’Automobile, FIA. É ela que constrói as regulações que as equipas têm de seguir na construção do carro, e que os pilotos têm de se reger em pista de forma a manter as corridas justas e seguras.

         Uma corrida de Fórmula 1, em 2026, contará com 11 equipas, e 22 pilotos, dois por equipa. Existem dois campeonatos que ocorrem numa temporada da, o campeonato dos construtores, em que ganha a equipa com a maior soma de pontos, e o campeonato dos pilotos, em que ganha o piloto com a maior soma de pontos.

         Os dois maiores campeões são Michael Schumacher e Lewis Hamilton, ambos conquistaram 7 campeonatos. São lendas deste desporto o brasileiro Ayrton Senna e Alain Prost, que nos aos 80 partilharam uma intensa rivalidade como parceiros de equipe na McLaren. A Ferrari e a McLaren são as equipas com mais troféus, com 15 e 14 conquistas, respetivamente.

Na temporada mais recente de 2025, o campeão foi Lando Norris, com uma margem de 2 pontos do campeão regente, Max Verstappen, que já gravou seu nome no troféu 4 vezes consecutivas. A equipa vitoriosa foi a McLaren, pela segunda vez consecutiva.

         Um fim de semana de Grande Prémio tem dois icónicos eventos, a qualificação, no sábado, e a corrida no domingo. A qualificação determina a ordem pela qual os carros começarão a corrida.

         Para 2026, a FIA anunciou novas regras, diminuindo o tamanho e peso dos carros, tal como introduzindo a aerodinâmica ativa, reacendendo novamente as expectativas para umas próximas temporadas caóticos e competitivas, que serão, em 2027 bem-vindas para o nosso país com o regresso Grande Prémio de Portugal no autódromo de Portimão, um circuito amado por muitos, onde se espera adrenalina e competição.

Os diferentes tipos de pneus. Da esquerda para direita os diferentes compostos: Macio, médio, duro, piso molhado e piso muito molhado. Crédito: Steve, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.