Ano Novo, Carros Novos
Com as novas regulações de 2026, a Fórmula 1 introduz aerodinâmica ativa através de dois modos distintos, Z-Mode e X-Mode.
O Z-Mode é utilizado em curvas e zonas de travagem. Neste modo, os elementos aerodinâmicos assumem uma configuração de alto downforce. As asas geram maior carga vertical, o que aumenta a aderência dos pneus ao asfalto. Este modo melhora a estabilidade, permite travagens mais tardias e aumenta a velocidade em curva. O efeito do drag existe, mas torna-se secundário nestas fases do circuito.
O X-Mode entra em ação nas retas. As asas alteram o seu ângulo para reduzir significativamente o arrasto aerodinâmico. Com menos resistência do ar, o carro atinge velocidades mais elevadas e consome menos energia elétrica e combustível. Este modo substitui parte do efeito do DRS atual, que foi removido em 2025.
A alternância entre Z-Mode e X-Mode ocorre de forma controlada e regulamentada. O piloto não gere o sistema livremente em todos os momentos. As regras definem quando e como cada modo pode ser ativado, o que mantém igualdade competitiva e segurança. Em 2026, a aerodinâmica deixa de ser estática. Passa a ser adaptativa, estratégica e integrada com o novo regulamento de motores híbridos. O desempenho passa a depender não só do desenho do carro, mas também da forma como cada equipa equilibra aderência, arrasto e gestão de energia ao longo da volta.
It’s Lights Out And Away We Go
Agora compreendemos a complexa beleza exterior dos carros de fórmula, no entanto, ela não anda sozinha. Para isto, precisamos de uma unidade de potência, que dá o som icónico deste desporto.
Tendo em conta as novas regulações de 2026, um carro de Fórmula 1 possui um motor híbrido V6 turbo de 1.6 litros, reduzido a 400kW.
O motor queima uma mistura de 90% gasolina e 10% etanol, que junto com 350kW fornecidos por um sistema elétrico, chamado MGU-K (Motor Generator Unit - Kinetic), produz mais de 1000 cavalos de potência total.
O MGU-K recupera energia durante as travagens, na forma de energia cinética, que num carro normal seria dissipada sob a forma de calor nos travões.
A potência destes carros está relacionada com a rapidez com que o motor consegue transformar energia em movimento. O torque corresponde à força de rotação produzida pelo motor. Um torque elevado permite acelerações mais eficazes, sobretudo na saída das curvas, pois o motor consegue transmitir mais rotação às rodas.
Acelerar é Fácil. Então e Travar?
O sistema de travagem tem função de reduzir a velocidade do carro de forma rápida e controlada. Quando o piloto trava, a energia cinética do movimento não desaparece, transformando-se principalmente em energia térmica nos discos e pastilhas de travão.
Uma vez que a velocidade tem uma relação ao quadrado com a energia, uma pequena variação resulta em uma grande quantidade de calor. Deste modo, os discos de travão são feitos de carbono, um material resistente a temperaturas extremamente elevadas, assim os travões conseguem facilmente atingir temperaturas superiores a 1000 °C sem grandes complicações. A eficácia do sistema depende do atrito entre os discos e as pastilhas, que geram a força de travagem necessária para desacelerar o carro.
I’m Moving Up and Down, Side to Side Like A Rollercoaster
Exatamente para o carro não andar como o Lando Norris o descreve neste título, é crucial a suspensão. A suspensão é o sistema que liga o carro às rodas e garante que os pneus permanecem em contacto constante com o asfalto. O seu papel é fundamental para o controlo, estabilidade e aderência do carro. Sem uma suspensão eficaz, mesmo o melhor motor ou a melhor aerodinâmica não resultariam em bom desempenho.
Do ponto de vista físico, a suspensão controla as forças exercidas sobre os pneus, assegurando um contacto estável com o solo durante travagens, acelerações e curvas. Ao manter esse contacto de forma consistente, o carro consegue aproveitar melhor a aderência disponível, evitando perdas súbitas de controlo. A suspensão também ajuda a absorver irregularidades da pista e a reduzir oscilações que poderiam comprometer a estabilidade.
A geometria da suspensão tem um papel decisivo neste processo, parâmetros como o ângulo das rodas, a altura do carro ao solo e a posição dos braços da suspensão influenciam diretamente o comportamento do carro.
Uma geometria bem ajustada permite que os pneus trabalhem na posição ideal, maximizando a aderência e a precisão da direção. Em curvas rápidas, as forças adicionais geradas pela aerodinâmica aumentam a carga sobre o carro, e a suspensão precisa suportar essas variações sem perder equilíbrio.
Na engenharia da Fórmula 1, a suspensão é afinada ao milímetro para cada circuito. Pequenas alterações na rigidez, na altura ou na geometria resultam em diferenças claras no controlo e no desempenho, mostrando como princípios físicos simples são aplicados de forma rigorosa para alcançar o máximo rendimento em pista.