atómica fevereiro de 2026 | Page 39

            O conceito de infinito provém originalmente da filosofia, com a definição do que não tem limites. Em 1986, Ferrater Mora admite, fazendo uma síntese de subtis variações, que o infinito pode ser visto de diversas perspetivas, como: algo positivo e completo, algo negativo e completo, algo que não é nem definido nem indefinido, algo sem fim ou sem limites, …

O símbolo do infinito foi adotado por John Wallis que, no séc. XVII, o utilizou para caracterizar uma quantidade “infinitamente grande”; no entanto, Wallis não explicou o porquê da sua escolha simbólica. Apesar disto, foram redigidas diversas teorias para a explicar, como a ideia de que Wallis se inspirou na numeração romana de mil (CIƆ), a possibilidade de estar relacionado com o Ouroboros (em que a figura come a sua própria cauda, representando uma característica cíclica), e a hipótese de se associar o infinito com a lemniscata de Bernoulli (lugar geométrico onde o produto das distâncias de dois focos fixos é constante).

Este conceito é usado frequentemente em diversas áreas, como a filosofia, a matemática, a física e muitas outras.

Mas haverá infinitos maiores que outros? A resposta é sim! Imaginemos os números apenas entre 0 e 1. Aqui temos 0.1, 0.01, 0.001 e infinitos mais, uma vez que podemos ter infinitas casas decimais entre 0.01 e 0.02. Sabendo isto, admitimos que existem infinitos valores entre 0 e 1. Mas agora imaginemos os números entre 0 e 2. Os números entre 0 e 2 não só abrangiam os que se encontram entre 0 e 1, mas também aqueles que se encontram entre 1 e 2, que também são infinitos, pela mesma razão. Podemos então admitir que há infinitos maiores que outros, porém não é por isso que um infinito menor deixa de ser infinito, embora o seja numa menor escala. Isto porque o infinito não é mensurável, já que não é um número coincidente com um símbolo, mas sim um conceito.

              A essência do infinito surgiu muito antes de tudo isto, na Grécia Antiga. Antes de Aristóteles e antes de Platão, no séc. V a.C., Zenão de Eleia criou 4 paradoxos que defendiam a sua ideia de imensurabilidade. Contudo, ao longo da história, foram criados outros do mesmo género, como o Hotel de Hilbert, o Conjunto de Mandelbrot e a Teoria da Maçã.