atómica fevereiro de 2026 | Seite 21

O efeito das alterações climáticas

Não podemos deixar de falar nas alterações climáticas e no seu efeito sobre a ocorrência de tempestades. Apesar de não serem a causa direta das tempestades, as alterações climáticas influenciam de forma decisiva a sua intensidade e impacto. O aumento da temperatura do ar permite que a atmosfera retenha mais vapor de água, o que resulta em precipitação mais intensa e concentrada no tempo, aumentando o risco de cheias rápidas. Ao mesmo tempo, oceanos mais quentes fornecem mais energia às tempestades, tornando-as potencialmente mais fortes e duradouras. As alterações climáticas também contribuem para uma maior frequência de fenómenos extremos, fazendo com que eventos que antes eram raros ocorram com maior regularidade. A subida do nível médio das águas do mar agrava os efeitos das tempestades nas zonas costeiras, intensificando a erosão e os galgamentos oceânicos. A elevada urbanização e a ocupação de áreas vulneráveis amplificam os danos, fazendo com que mesmo tempestades moderadas tenham consequências mais graves.

Tempestades que ficaram na história em Portugal

Ao longo da história de Portugal, existiram muitos temporais e vendavais que afetaram a população, mas existem alguns que ficaram para sempre na memória pelo grande impacto que tiveram. As tempestades de que vamos aqui falar são todas do século XIX, XX e XXI, pois não temos registos de tempestades anteriores, mesmo que tenham existido.

Em primeiro lugar, destacamos a grande cheia de 23-24 de dezembro de 1876. Vários dias consecutivos de chuva torrencial resultaram em grandes consequências para o país. Sendo uma das tempestades mais devastadoras do século XIX, deixou embarcações naufragadas, povoações isoladas e fez com que serviços essenciais fossem cancelados.

A segunda tempestade que destacamos é a de fevereiro de 1941, que ficou conhecida como "O Ciclone". Esta depressão teve origem no Oceano Atlântico e, devido à falta de tecnologia na época, foi descrita como um acontecimento muito inesperado. Ventos intensos, chuvas torrenciais e marés de tempestade deram origem a centenas de feridos e milhares de desalojados. Na altura, a população acreditava que este fenómeno era o fim do mundo, um fenómeno sobrenatural e até um castigo de Deus.

A tempestade Leslie, a 13 de outubro de 2018, foi uma das mais intensas dos últimos anos e era considerada, até há pouco tempo, a tempestade mais forte depois da de 1941. Com ventos de 176 km/hora, provocou 28 feridos ligeiros e 61 desalojados, afetando maioritariamente Coimbra, Figueira da Foz e Leiria.

Destacamos também as tempestades Elsa e Fabien, que ocorreram em dezembro de 2019. Com um dia de distância, estas deixaram um grande rasto de destruição, tendo em conta os ventos fortes da tempestade Fabien e as chuvas intensas da tempestade Elsa.

A tempestade Elsa provocou cheias em rios e zonas urbanas, danos em infraestruturas e interrupções de energia em aldeias. A tempestade Fabien causou quedas de árvores e postes, cortes de eletricidade em várias regiões e rajadas de vento fortes.

Infelizmente, na altura em que concluímos a edição deste artigo, Portugal vê-se a braços com os efeitos devastadores da tempestade Kristin, que se abateu sobre o território nacional em 28 de janeiro passado. Esta foi uma tempestade cujo principal impacto adveio da força do vento, que em poucas dezenas de minutos teve efeitos destrutivos.

Kristin parece ter ganho o título de tempestade mais forte de sempre em Portugal, tendo deixado um rasto de destruição por todo o país, com destaque para a região centro. A resolução de ocorrências está ainda em curso na altura em que escrevemos.