mercado perfumaria
o consumidor esteja ciente ao escolher
sobre isso.
que nossas fragrâncias duram mais do
que as outras, então é um ponto que a
gente testa muito e às vezes até escolhe
alguns caminhos que facilitam isso, en-
tão tem essa análise sim. Agradabilida-
de também é algo que a gente pesquisa
muito junto aos consumidores e é algo
que se encontra nas nossas fragrâncias.
Precisamos de uma agradabilidade alta.
Claro, tem horas que inovamos e aris-
camos mais e aí temos fragrâncias no
portfólio que são tão inovadoras que
não tem um nível de agradabilidade tão
alto. Nós inclusive sistematizamos esse
processo, ou seja, como eu trato uma
fragrância mais comercial e como eu tra-
to uma fragrância mais inovadora, o que
se reflete em diversos pontos, como os
tipos de testes que são realizados. Existe
muita análise sobre isso e uma série de
estudos para chegarmos na fragrância
com os atributos ideias.
Como trazer a questão da sustentabi-
lidade para o mercado de fragrâncias?
Esse é um ponto no qual estamos traba-
lhando forte, mas que é extremamente
complicado hoje. “Como eu falo em
sustentabilidade em fragrâncias de uma
maneira clara, de uma maneira que o
consumidor entenda que uma fragrân-
cia é mais sustentável por causa de al-
guns elementos, de alguns aspectos ob-
jetivos?”. Hoje acho que ainda é difícil
justamente pela grande quantidade de
ingredientes utilizados, e cada um com
suas características de sua cadeia pro-
dutiva. Em embalagem já estamos em
outro nível, mas na fragrância propria-
mente dita a tendência é falarmos cada
vez mais de transparência e segurança
de ingredientes. Tem muito trabalho a
ser feito.
E como você avalia a inovação no mer-
cado de perfumaria hoje? Para onde ca-
minha o futuro das fragrâncias?
Vejo uma tendência muito grande nas
casas de estudarem ingredientes para
trazerem coisas que sejam mais poten-
tes de um lado e para melhorar as ca-
deias de suprimentos deles. Hoje, temos
algumas cadeias de produção que são
críticas, justamente pela questão da ras-
treabilidade. Block chain é algo que vem
ganhando espaço. Existe uma possibili-
dade disso se tornar um pouco maior,
de você conseguir rastrear os ingredien-
tes num nível de maior profundidade.
A outra questão que vejo como uma
tendência muito grande é a de trans-
parência e segurança. Cada vez mais
as pessoas vão querer saber o que tem
na fragrância. Esse tema é um pouco
complicado, porque hoje o mercado de
fragrâncias é dominado por poucas ca-
sas. São poucos fornecedores que têm o
domínio de tudo aquilo. Cada vez mais
e, principalmente, alguns países, estão
querendo saber o qual a composição dos
perfumes, o que faz bem, o que faz mal,
o que é seguro e o que não é. Para que
E a personalização? Fala-se muito em
cosméticos personalizados, feito para
a pessoa quase que sob medida. Em
que pé a perfumaria está nesse senti-
do? Você vê no médio e no longo prazo,
Mas você vê viabilidade em caminhar-
mos para fragrâncias personalizáveis?
É um caminho longo pois o mercado
não é tão maduro, quando na Europa e
USA. Quando você vai falar de fragrân-
cia, o nosso público ainda não tem muito
vocabulário, existe um desafio para se
expressar. Ainda vem se é forte, fraco,
fresco... Um amadeirado, um doce, não
sai muito disso. Se simplesmente você
chegar para o consumidor e falar que ele
vai ter uma experiência legal de misturar
coisas, sem contexto, sem uma historia,
uma razão, talvez ele não ache a expe-
riência tão bacana. Por isso acredito que
é um caminho mais longe chegar neste
nível. Até lá tem muita coisa legal para
fazer que o consumidor gosta, e sim
acredito que a customização, a persona-
lização é um mercado que vai crescer.
O NOVO THE BLEND: o Grupo Boticário
sistematizou o processo para tratar do
desenvolvimento das fragrâncias a partir de uma
abordagem mais comercial ou mais inovadora.
AtuAlidAde COSMÉtiCA
empresas grandes, como o Grupo Bo-
ticário, oferecer a possibilidade de um
perfume único, a partir da combinação
de bases e acordes pré-determinados,
como já o fazem algumas marcas de
maquiagem?
Acredito que estamos evoluindo no
tema, vou dividir em dois aspectos para
facilitar o racional. Primeiro, que não é
uma questão do Grupo Boticário, é uma
questão do consumidor, se ele esta to-
talmente preparado para personalizar
seu perfume. Talvez existam grupos
que já busquem isso e precisamos en-
tender suas expectativas e atendê-los. O
segundo aspecto é que quando a gente
fala em personalização, existem várias
elementos que podem ser personaliza-
dos tornado o produto especial, como
por exemplo escrever o nome no frasco
ou no cartucho. Até chegarmos ao pon-
to de permitir que o consumidor faça a
sua própria fragrância – seja na loja, seja
em outro lugar –algo mais distante, que
envolvem questões regulatórias inclu-
sive. Mas, isso é uma jornada, que tem
de começar com uma personalização do
atendimento, da experiência do consu-
midor. E isso, nós já estamos oferecendo
nas nossas novas lojas. Na nossa flagship
store, em Curitiba, o atendimento é ex-
clusivo. Tem alguns produtos que você
só encontra lá, o que torna especial a
própria experiência de ir até a loja. Você
tem muitas possibilidades.
28 # 167 | jun/jul 2019