As ruas e a democracia. Ensaios sobre o Brasil contemporâneo | Page 197

1. Jornais, revistas e redes de comunicação empresariais influenciam e formam opiniões. Ao se tornarem mais fortes (grandes oligopólios) ficaram com ainda mais poder. Compram e vendem o tempo e a atenção de seus leitores, ouvintes e espectadores, com o que também vendem produtos e fazem negócios. As receitas publicitárias costumam ser expressivas nos grandes órgãos de comunicação, mas nem sempre isso acontece. Muitas vezes, para conseguirem abrir espaços generosos para a publicidade, são forçados a reduzir o valor dos anúncios. Os jornais, por exemplo, podem crescer em tamanho e perder em conteúdo. Além disso, a publicidade que estampam em suas páginas pode levá-los a entrar em atrito com os interesses de seu público ou a produzir nele certas expectativas que reforçam padrões discutíveis de vida. Anúncios imobiliários ou de automóveis podem ser bom exemplo disso: “Jornais são meios de comunicação eminentemente urbanos – mais propriamente, no Brasil, com sua precária infraestrutura de transportes, meios metropolitanos. Mas, para sobreviver (ou imaginar que sobrevivem, no caso de alguns dos recursos de que se valem), publicam predominantemente anúncios de indústrias que, no contexto atual, funcionam como inimigas da qualidade de vida nas cidades. Inimigas, portanto, dos interesses de seus leitores”. (MALIN, 2013). 2. Jornais, redes e grupos de comunicação são instituições privadas, que obedecem a seus donos e às suas agendas. Criam públicos específicos, modelando-os e fidelizando-os ao longo do tempo. Podem agir como “partidos políticos” precisamente por isso. Todo esforço de regulação, aqui, dedica-se a fazer com que não extrapolem essas funções, do mesmo modo que se legisla para que partidos e governos ajam “dentro da ordem”. Partidos e governos, por sua vez, também podem ter sua imprensa, e habitualmente a têm. Os diários oficiais, por um lado, e os jornais de partido 2