ANTONIO - A SUA MAIS NOVA REVISTA - SAÚDE - Primeira Edição ANTONIO - A SUA MAIS NOVA REVISTA - Primeira Ediç | Page 48

Um bom exemplo de solidão aguda que pode se tornar crônica é a do luto. Superar a perda de um ente querido nunca é fácil. Mas a tarefa de seguir adiante pode se tor- nar ainda mais difícil em casos de mortes repentinas, violentas, múltiplas ou de filhos. “Nesses casos, sentir raiva, culpa ou tristeza é perfeitamente normal. O que precisa ser observado é se tais sintomas perduram por muito tempo ou impedem o enlutado de re- tomar sua vida”, esclarece a psicóloga Ingrid Esslinger, do Laboratório de Estudos sobre a Morte da Universidade de São Paulo. “Há pessoas que, mesmo depois de anos, ainda se emocionam ao falar da perda que sofreram ou não conseguem se desfazer dos pertences do morto.” Quando isso acontece, pode ser bem-vinda uma sessão com o psicólogo. O corpo sente Nos últimos anos, cientistas vêm esmiuçan- do os possíveis efeitos fisiológicos da soli- dão. Uma das descobertas é que seu impac- to é semelhante ao do estresse. Em estado de tensão constante, você tende a relaxar menos e a dormir mal. No organismo, o cortisol, apelidado de hormônio do estres- se, vai às alturas. Tá, mas o que isso signi- fica na prática? Ora, uma maior exposição a problemas de saúde. Na Universidade de Newcastle, também em solo inglês, uma equipe detectou que a alta do cortisol eleva o risco de doenças cardiovasculares e, por sabotar a imunidade, nos deixa mais pro- pensos a gripes, resfriados e outras infec- ções. Num balanço geral, os pesquisadores de Chicago chegam a estimar um aumento de 26% na probabilidade de morte prema- tura entre quem vive sozinho demais. Antes das repercussões físicas, porém, é provável que a desconexão social impacte a esfera mental. Indivíduos muito solitá- rios estão no grupo que mais sofre de an- siedade, fobia e depressão. A solidão afeta uma área do cérebro, o córtex pré-frontal, responsável pela tomada de decisões. E isso ajuda a explicar por que sujeitos que 52 • SAÚDE É VITAL • JANEIRO 2019 O LADO BOM DE FICAR SOZINHO Ao contrário da solidão, estar só costuma ter seu lado positivo. Em 1997, o escritor norueguês Jo Nesbo descobriu que o voo que o levaria de Oslo, na Noruega, onde mora, até Sydney, na Austrália, onde passaria as férias, levaria 32 horas. O que ele fez? Abriu seu laptop e começou a trabalhar ali mesmo. Seu primeiro livro nasceu a bordo de um avião. “Às vezes, é bom tirar férias do mundo e passar