Anayde- Revista de Cultura Feminista Out.2017 | Page 85
As primeiras histórias de Olga
eram desenhadas enquanto as ideias
surgiam e o ano de 2010 foi um dos
mais produtivos para a autora nesse
sentido.
Se ainda na época do Coletivo WC
foi criado um fanzine de poucas pági-
nas para venda, foi apenas em 2015
que o livro Olga, a sexóloga foi produ-
zido de forma independente para ser
lançado no Festival Internacional de
Quadrinhos em Belo Horizonte, e tra-
zia uma compilação de seis anos de
produção de tirinhas. Foi a partir do
livro, que chegou à redação da Folha
de S. Paulo, que surgiu o convite para
publicação das tirinhas também no
jornal.
No entanto, “depois de oito meses
as tiras de Olga foram canceladas. Por
um momento, pensei em deixar a per-
sonagem de lado, o que não seria a
primeira vez; já tivemos nossos altos
e baixos mais vezes. O fato é que pu-
blicar tiras diárias tinha se tornado
cansativo e então pensei em deixá-la
adormecida até sentir novamente a
necessidade de produzir as tirinhas”,
relembra a autora. Tendo ao seu lado
pessoas que a convenceram a
“apenas tirar umas férias”, Thaïs vol-
tou a produzir em quantidades meno-
res; e é nessa fase em que ela está
agora, onde tirinhas inéditas são pu-
blicadas na internet quase toda quin-
ta-feira.
Apesar de ser na internet que,
além de Olga, a quadrinista veicula
suas tantas histórias em quadrinhos a
maior parte do tempo, fora dela tam-
bém teve trabalhos publicados na
revista Prego , na canadense Wave , no
Zine XXX e no jornal paraibano A Uni-
ão, além das tiras diárias na Folha de
S. Paulo. Atualmente, toda segunda-
feira tem quadrinho seu em O Beltra-
no .
Durante todo esse tempo, a pro-
dução das tirinhas de Olga foi cons-
tante. Pode-se pensar que a persona-
gem representa o alter-ego da autora,
mas, para Thaïs “representa mais que
isso; representa a liberdade feminina,
transpondo para a linguagem das
tirinhas uma libertação das vontades
femininas: responder a assédios na
rua, dizer algumas verdades ao com-
panheiro ou simplesmente deixar de
se importar com a opinião alheia.
Acho que é por isso que a persona-
gem faz sentido até hoje, porque as
leitoras se identificam com ela”.
Se é óbvia a ligação da persona-
gem com temas referentes à sexuali-
dade, com o passar dos anos as tiri-
nhas de Olga foram incorporando
outros assuntos, como, por exemplo,
feminismo, maternidade, paternida-
de, responsabilidade social e o que
mais parecesse interessante para
abordagem da autora. “Nesses aspec-
tos, Olga e eu nos assemelhamos;
contudo, é na sua característica mais
marcante que se encontra a maior
diferença entre nós: a língua ferina,
sempre afiada para fazer o próximo
comentário certeiro. Ela dá as respos-
tas que eu gostaria de ter dado. E tal-
vez você também”, decreta acertando
em cheio, assim como Olga, sua cria-
dora.
Anayde – Primeira Edição – Outubro de 2017
85