Anayde- Revista de Cultura Feminista Out.2017 | Page 83
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ainda durante a infância que
Thaïs Gualberto criou suas primeiras
histórias em quadrinhos. Eram dese-
nhos sobre uma turma de crianças,
claramente inspirada na Turma da
Mônica, que ela resolveu chamar de
Bago x Bago. “De onde tirei esse nome,
não me perguntem...”, brinca a autora,
atualmente responsável pela Coorde-
nação de Quadrinhos da Fundação
Espaço Cultural da Paraíba e pelo Nú-
cleo da Gibiteca, criado em 2014
Mas um dia, quem diria, ela sim-
plesmente deixou de ler quadrinhos. E
foi somente a partir dos 14 anos,
quando começou a consumir animes e
mangás, que Thaïs voltou a desenhar;
dessa vez, já no formato de tirinhas,
que segue até hoje. “Fiz uma tirinha
para um fanzine, nunca publicado, em
parceria com uma amiga. Posterior-
mente criei outras, baseadas no meu
cotidiano, que chegaram a ser publica-
das no Fotolog que eu possuía; para
quem perdeu a referência, uma espé-
cie de avô do Instagram. Depois disso,
parei novamente. Mais do que fazer
quadrinhos, eu tinha o costume de
escrever e o fazia desde criança”, con-
ta.
A quadrinista já estava no último
semestre do bacharelado de Arte e
Mídia quando fez a primeira tirinha de
Olga, a sexóloga taradóloga , que de-
pois resolveu chamar apenas de Olga,
a sexóloga , uma vez que o que vinha
escrevendo já não lhe agradava mais.
“Foi natural a volta às histórias em
quadrinhos, onde eu podia unir o texto
ao desenho”, justifica.
Depois da universidade, cursada
em Campina Grande, Thaïs voltou a
morar na capital paraibana. E foi con-
versando com o amigo, também qua-
drinista, Samuel de Gois (ou samuel-
degois), que passou a perceber que
existiam outras pessoas fazendo tiri-
nhas no Estado, mas de forma discre-
ta, sem fazer muito alarde. “Samuel
conhecia mais pessoas que eu e fez os
convites para os primeiros integrantes
do Coletivo WC . O grupo existiu entre
os anos de 2010 a 2013 e reuniu tra-
balhos de vários quadrinistas da Para-
íba no blog coletivowc.wordpress.com,
além de três exposições, dois fanzines,
duas revistas Sanitário publicadas e
uma inédita”, lembra.
Em 2012, a partir de discussões na
internet, Thaïs se juntou à Daniela Be-
leze Karasawa, Paula Mastroberti, Juli-
ana Dalla e Lila Cruz para formar o
projeto da Inverna , revista pensada
para divulgar a produção feminina de
histórias em quadrinhos. A revista,
que esperou anos por financiamento,
acabou sendo finalmente publicada
online em 2016.
Anayde – Primeira Edição – Outubro de 2017
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