Anayde- Revista de Cultura Feminista Out.2017 | Page 8

“Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, re- movendo pedras e plantando flores” – Cora Coralina Ela já quis ser bailarina, mãe, musicista, caminhoneira, astronau- ta e cigana. Mas, prazerosamente, escolheu ser atriz. E através deste ofício pode vivenciar seu desejo de ser outras. 8 Anayde – Primeira Edição – Outubro de 2017 A atriz Raquel Ferreira começou sua carreira em 2007, através do apoio de uma vizinha, Ana, que lhe avisou sobre um teste de elenco pa- ra um espetáculo pascoal promovido pela Fundação Cultural de João Pes- soa – Funjope. “Além de abrir opor- tunidades para atores e atrizes, o espetáculo também necessitava de cantoras, o que era o meu caso”, con- ta. Chegando ao local do teste, o Conventinho no Largo de São Frei Pedro Gonçalves, no Varadouro (bairro do centro de João Pessoa), entregaram para Raquel uma ficha com o número “10”, que para ela não era sinal de boa sorte. “Só admiro o que é ímpar, singular”, afirma. Será supersticiosa a nossa atriz? Humberto Lopes, diretor da peça na ocasião, lhe pediu para que pas- sasse o texto, que trazia a tentativa de um demônio de persuadir a figu- ra de Jesus Cristo em sua vigília no Monte das Oliveiras. Assim o fez. Raquel não saiu confiante que seria aprovada. Mas, para sua surpresa, recebeu telefonema da equipe da peça informando que havia passado no teste. Hoje, Raquel Ferreira é uma das atrizes paraibanas mais bem coloca- das no cenário artístico atual. Ela está no teatro, no cinema e na publi- cidade. Um dos papeis mais marcantes em sua carreira foi o de uma estu- dante na peça Mercedes , dirigida por Paulo Vieira. O espetáculo conta a história de um drama familiar e tem como pano de fundo a Ditadura Civil Militar no Brasil. “O meu processo de construção da estudante Mercedes, personagem a qual vivo no espetáculo, obviamen- te necessitava ser bem avesso aos do restante do elenco. Antes, pelo tra- balho já existir há certo tempo, ele era novo apenas para mim, embora também já o tivesse assistido en- quanto público na estreia. A peça já havia cumprido temporada e tudo o mais que envolve esse movimento tradicional de uma montagem. "Recebi uma enxurrada de afeto e informações do texto a ser decora- do em grandes partes de um dia pa- ra outro; entre divisões estreitas e suadas, de segundas as sextas-feiras, nos intervalos das aulas da gradua- ção e das sessões de fisioterapia que acabara de iniciar (Raquel havia so- frido um acidente de carro antes de estrear na peça). E foram estas difi- culdades que muito formaram a mi- nha Mercedes , junto às conversas com o elenco – de quem recebi tam- bém um vasto material jornalístico da época da Ditadura Militar no Bra- sil, assim como livros e filmografia relacionada ao assunto. Um dos papeis mais marcantes em sua carreira foi o de uma estu- dante, na peça Mercedes, dirigida por Paulo Vieira, e que conta a histó-