Anayde- Revista de Cultura Feminista Out.2017 | Page 38

“Na capital paraibana, o nome Anayde Beiriz só vinha à tona no aniversário de morte de João Pessoa, no mês de julho, e sempre estava ligado ao de João Dan- tas. Sua história foi distorcida.” Anayde Beiriz morou na Rua da República, no Centro de João Pessoa; depois, mudou-se com a família para a Av. Santo Elias, nº 176, localizada também no Centro da capital parai- bana. Esta casa foi tombada pelo IPHAEP em 2002. Nela, atualmente, funciona uma boutique e encontra-se totalmente descaracterizada. O que nos faz saber que ali morou Anayde Beiriz é uma placa afixada na entrada da casa. Na placa, está escrito um pensamento da poeta: “Meu sonho de felicidade: um amor absoluto, imutá- vel, mais forte que as leis da vida e da própria natureza”. A partir das pesquisas realizadas e das conversas que tive com a sobri- nha de Anayde, apaixonei-me ainda mais pela história desta mulher. O vídeo documentário Anayde Beiriz – uma mulher independente retrata a vida da poetisa, cronista e professora Anayde, a sua precoce e ousada pre- sença em grupos literários da cidade de Parahyba (atual João Pessoa) e, consequentemente, seu envolvimen- to amoroso com o advogado João Du- arte Dantas. Em 1930, com apenas 25 anos, Anayde da Costa Beiriz morreu no convento em que foi acolhida, aonde chegou vomitando muito, após pas- sar pela casa dos Dantas. A morte da professora foi comunicada à sua fa- mília através de uma carta, enviada pela madre superiora. Na carta, a ma- dre dizia que Anayde havia ingerido cianureto de potássio. Devido à sua ousadia e as ideias à frente do seu tempo, Anayde era mal falada na província da Parahyba; em contrapartida, era muito benquista e respeitada nos saraus literários que frequentava, ao lado de intelectuais da época, em Recife e na Parahyba. Na capital paraibana, o nome de Anayde Beiriz só vinha à tona no ani- versário de morte de João Pessoa, no mês de julho, e sempre estava ligado ao de João Dantas. Sua história foi distorcida. Anayde era tida como o motivo pelo qual João Dantas havia matado João Pessoa. Mas, na verdade, historiadores/as contam que existia uma briga política entre os dois que já vinha se perpetuando há muito tempo. A sua história, enquanto inte- lectual e mulher ativa na sociedade, fora dos padrões culturais da época, era raramente falada; assim como suas produções literárias e o desta- que que alcançou na turma de datilo- grafia e na escola Normal, na qual se formou como professora. Infelizmen- te, muitos de seus escritos se perde- ram ao longo do tempo. Com o vídeo documentário 38 Anayde – Primeira Edição – Outubro de 2017 Anayde Beiriz – uma mulher inde- pendente , busquei demonstrar a ima- gem da mulher que enfrentou pre- conceitos, conseguiu vencê-los e foi vítima de perseguição justamente por viver o que acreditava. Hoje, a vida de Anayde pode ser mais ampla- mente conhecida através de várias mídias. Temos, por exemplo, o livro A pantera de olhos dormentes , de Mar- cos Aranha; as HQs Anayde Beiriz – uma biografia em quadrinhos , de Luyse Costa, e Anayde Beiriz em qua- drinhos , de autoria de Sabrina Bezer- ra e ilustrações de Américo Filho; o documentário de Emanuel Limeira e Lays Amaro, Anayde Beiriz e João Dantas – um romance nos anos 30 , narrado pela professora de Letras da Universidade Federal da Paraíba, Wilma Martins. Há, na capital paraibana, uma es- cola no bairro Vieira Diniz com o no- me da professora e uma praça no bairro Valentina Figueiredo – esque- cida pelo poder público – que tam- bém a homenageia. O aniversário de morte de Anayde marca o dia 22 de outubro.