Anayde- Revista de Cultura Feminista Out.2017 | Page 32
Bordado em fotografia de Laís Domingues
Apesar do bom humor e da revo-
lução de costumes presentes nos te-
mas do bordado contemporâneo, é
também a repetição, o tempo, e a
concentração que a técnica demanda
que tem feito do ato de criar com
linhas e agulhas um grande aliado no
combate ao estresse.
Foi o caso da fotógrafa pernam-
bucana, Laís Domingues. Para ela, o
bordado surgiu de maneira espontâ-
nea, há cerca de dois anos, quando
estava em casa sem computador e
sofrendo com a ansiedade. “Peguei
linha e agulha de costura comum e
comecei a experimentar em cima de
algumas fotografias que já tinha.
Uma amiga que morava comigo me
deu todo o material de bordado que
ela tinha e nunca havia usado”, conta.
A partir daí, Laís começou a reali-
zar oficinas de fotografias bordadas
para ensinar a técnica a outras pes-
soas. O objetivo é despertar a criati-
32 Anayde – Primeira Edição – Outubro de 2017
vidade através de intervenções com
linhas e agulhas em imagens fotográ-
ficas já captadas e impressas. Laís
explica que esse processo pode funci-
onar como terapia. Devido a esse
trabalho, ela está participando de um
projeto de mapeamento das artesãs
têxteis de Pernambuco.
Relegado a segundo plano por
muitos séculos, exatamente por fazer
parte do imaginário popular como
um trabalho destinado às mãos femi-
ninas, e, portanto, tendo sua autoria
invizibilizada ao longo da história da
arte, é a partir dos anos 70 que inici-
ativas de várias artistas vinculadas
ao movimento feminista subvertem
conceitos que destinavam um lugar
subalterno à esta técnica, questio-
nando tais suposições.
É na força poética, não na da im-
posição, que os bordados das artistas
Esteffane Pereira, Vanessa Cardoso e
Laís Domingues parecem se apoiar,
nos mostrando que a tradição pode e
deve ser reinventada de modo que a
artesania se torne mais uma ferra-
menta na busca pela revolução de
costumes, geração de renda e liber-
dade de expressão de inúmeras mu-
lheres Brasil afora.