Anayde- Revista de Cultura Feminista Out.2017 | Page 29
A s
tias de Esteffane Pereira,
moradora de Sousa, cidade localiza-
da na região do sertão paraibano,
insistiram para que ela aprendesse
a arte de bordar ainda criança.
“Sempre gostei de ficar na rua, daí
minhas tias queriam me ensinar o
ponto cruz para que eu continuasse
o costume”, explica a estudante.
A té cnica do bordado, registrada
na história desde a Grécia antiga,
durante muito tempo e em grande
parte do brasil, teve seu ensino di-
recionado especialmente às mulhe-
res. Prática comum entre as famí-
lias, o objetivo desta “tradição” era,
na maioria dos casos, mantê-las
longe dos olhares curiosos e supos-
tas “maledicências”, para, em segui-
da, casá-las convenientemente.
Já com uma certa habilidade no
manuseio de agulhas e linhas, Estef-
fane conta: “Fiz algumas pesquisas
de pontos e comecei a bordar al-
guns rabiscos que estavam guarda-
dos”. Foi “tomando gosto” pela prá-
tica. O resultado dessa retomada é a
sua atual produção de lindas peças,
que vem pensando e sendo estimu-
lada a expor. “Comecei a fazer mais
esboços inspirada em poesias e,
assim, foram surgindo as outras
peças. Agora, estou em um estudo
sobre a utilização de ervas e especi-
arias para tingir o tecido e bordar
por cima”, diz a artista. Atualmente,
ela tem usado chá preto, café e hi-
bisco para tingir as suas peças.
“O bordado agora faz parte de
mim e tem me ajudado bastante em
relação aos momentos mais tensos
da minha vida. E sim, pretendo co-
meçar a dar oficinas para outras
pessoas. Venho desenvolvendo um
material para começar”, avisa.
A ideia de que este artesanato
têxtil tem como fim direcionar as
mulheres para um casamento está
perdendo fôlego. O bordado vem
atraindo cada vez mais mulheres,
como também alguns homens, para
Bordado de Esteffane Pereira em tecido tingido com café
Bordado de Esteffane Pereira em tecido tingido com corantes naturais
Anayde – Primeira Edição – Outubro de 2017
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