Uma estrela do rock no
cerrado tocantinense
Artur Pery Raineri ficou sabendo que seria meu personagem para um perfil momentos antes de sua apresentação na Serreal, uma casa noturna de Palmas. O vocalista da banda Wizened Tree brincou com a situação. “Pode ficar calado?”, soltou. Ri em troca. Conheço sua boa retórica. Na ocasião, o músico de 25 anos, de cabelos que batem nos ombros e barba cheia, vestia uma camisa estilo hippie, apenas um brinco de pena e maquiagem nos olhos. Tudo para entrar na persona que logo mais
subiria no palco. Em uma conversa entre amigos, a performance dele
foi comparada a do lendário Jim Morrison: introspectivo, performático, ritualístico. E assim o foi.
Em uma terça-feira de maio, quatro dias depois da apresentação da Wizened Tree na Serreal, marco um encontro com Artur em um bar chamado Feijoalha. Ele disse que estaria lá para uma programação da Árvore Seca, produtora da qual é integrante. Marcamos 21 horas, mas como uma boa estrela do rock, não cumpriu o horário. Só consegui a confirmação da sua presença no local após uma ligação para Davi Pery, seu irmão e baterista da banda. O vocalista chega pouco depois das 22 horas e com o carisma que lhe é característico, cumprimenta todos os colegas e amigos antes de sentar comigo.
Apesar de me conhecer desde o primeiro ano do ensino fundamental e termos um litro de cerveja à nossa frente, Artur Pery assume um tom mais sério assim que o gravador é ligado, mas sem deixar os maneirismos do seu discurso. O músico, professor de música, produtor, empresário e estudante de direito — como próprio elenca — é formado em produção musical. Dentre as inúmeras funções que afirma assumir, o vocalista da Wizened Tree diz se encaixar mais, obviamente, naquelas ligadas à música. A explicação do porquê não é fácil. “Tem a ver com a essência do meu ser. Sei lá, velho. Chamado divino, vocação… Putz! Não sei explicar”, admite.
O interesse de Artur pela música surgiu quando tinha 12 anos e foi provocado por Davi, na época com 10 anos, que pediu para seu pai, o hoje procurador de Justiça Alcir Raineri, ensiná-lo a tocar violão e guitarra.