Agendas Culturais 2018 Agenda Cultural 2018 - julho e agosto | Página 18

AGOSTO
50 Tons de Noir
Em agosto, a Sala Redenção – Cinema Universitário apresenta a mostra 50 Tons de Noir, exibindo clássicos do film noir, das décadas de 1940 e 1950, e obras que mostram como esse gênero se transformou e se adapta aos que são chamado neo noir.
Tendo suas raízes nos expressionistas alemães dos anos 1920, inclusive com alguns diretores desse movimento emigrado para os Estados Unidos fugindo do nazismo e realizando filmes por lá, essas obras chegaram apenas após o fim da 2 º Guerra Mundial na França, onde críticos da época que desenvolveram essa terminologia para descrever esse tipo de filme, posto que, à época de lançamento, eram classificados apenas como“ melodramas”.
Esse movimento cinematográfico é marcado fortemente pelo seu forte estilo, que reflete as tensões e inseguranças do pós--guerra americano, com uma atmosfera de medo, desconfiança e corrupção sempre presentes na alma do filme. Cada personagem tinha características que refletiam o pior da sociedade americana da época, como uma forma de mostrar um país sem moral nem justiça.
A cinematografia é diretamente ligada ao expressionismo alemão, marcada por uma iluminação altamente contrastada, sombras eminentes e um tom melancólico ou agressivo. O cenário, muito marcado por cenas noturnas, com chuva ou em ambientes fechados e claustrofóbicos. Seus personagens, sempre pessoas marcadas pelo seu passado e repetindo os mesmos erros de outrora, normalmente detetives particulares, policiais e femme fatales.
Como movimento, foi extremamente importante para todo o cinema mundial: foi uma inspiração para os diretores da nouvelle vague francesa e gerou, ao longo dos anos, uma série de filmes direta ou indiretamente inspirados nas suas estéticas e temáticas – classificados como neo noir. Este novo gênero é bastante abrangente, trazendo tanto ficções científicas como Blade Runner( 1984) quanto suspenses, como Veludo Azul( 1986), normalmente sendo difícil a sua definição por causa disso.
Exibiremos os filmes noir Do Lodo Brotou Uma Flor( 1947), de Robert Montgomery, que mostra um ex-combatente americano procurando um gângster mexicano( cujo ator foi o primeiro hispânico a receber uma indicação ao Oscar na sua categoria) afim de chantageá-lo, e um agente do FBI também o caçando; Sombras do Mal( 1950), ambientado no mundo das lutas clandestinas cujo protagonista entra de cabeça; Gilda( 1946), sobre jogos de azar e cassinos ilegais; No Silêncio da Noite( 1950), uma narrativa sobre um roteirista suspeito de ter assassinado sua colega e, ao mesmo tempo, sobre a própria Hollywood; e, por fim, Um Corpo que Cai( 1958), considerado pela revista Sight and Sound, do Festival de Cinema Britânico( BFI), como o melhor filme de todos os tempos.
Representando os diferentes filmes que foram inspirados pelo movimento, exibiremos os neo noir O Homem Que Não Estava Lá( 2001), dos irmãos Joel e Ethan Coen, vencedor do prêmio de melhor direção no festival de Cannes, sobre um barbeiro que tenta chantagear o chefe da sua ex-mulher a fim de investir em uma nova tecnologia; Em Transe( 2003), com sua labiríntica narrativa sobre um leiloeiro que sofre hipnoterapia; Dublê de Corpo( 1984), que bebe do cálice de Hitchcock para construir uma obra sobre obsessão; Conflitos Internos( 2002), filme de Hong Kong refilmado por Christopher Nolan em Os Infiltrados; e, por fim, Operação França( 1971), vencedor do Oscar de melhor filme.
Vitor Cunha Bolsista da Sala Redenção e
Curador da Mostra
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