Afroturismo: A Jornada pela Cor da Nossa História Maio 2026 | Page 13

SF:. Como é feito o trabalho de resgate de locais "invisibilizados", como a Capela dos Aflitos (SP) ou narrativas apagadas na Praça XV (RJ), para transformá-los em pontos de conexão ancestral sem perder a sensibilidade histórica?

Carlos: Temos observado os dois movimentos. Alguns viajantes, especialmente da diáspora

africana, já chegam ao Brasil buscando essa reconexão histórica e cultural.

Outros descobrem o afroturismo ao entrar em contato com a proposta da Diáspora.Black.

O que percebemos é que muitos turistas estrangeiros se surpreendem ao perceber a

dimensão da presença africana na formação do Brasil.

Eles frequentemente dizem que os roteiros ajudam a entender melhor a música, a culinária, a religiosidade e até a

dinâmica social do país.

SF: Você percebe uma diferença no impacto emocional e na percepção de autenticidade do turista internacional ao ser conduzido por guias negros e negras profundamente conectados ao território?

Carlos: Sem dúvida.

A experiência muda completamente quando a narrativa vem de alguém que

tem uma relação pessoal, cultural ou histórica com aquele território. Os guias da Diáspora.Black não apenas transmitem informação — eles compartilham vivências, memórias familiares, referências culturais e interpretações críticas da história.

Isso cria uma camada de autenticidade e sensibilidade que é percebida pelos visitantes.

Muitos turistas relatam que esse tipo de mediação torna a experiência mais humana e

transformadora.

Bloco 4: Capela dos Aflitos/Estrangeiros

Capela dos Aflitos - São Paulo