A Árvore
AS AVENTURAS DA ÁRVOE
Há muitos, muitos anos atrás, em Évora, vivia uma árvore muito bonita, que toda a gente
admirava. Esta árvore tinha um sonho muito antigo.
Certo dia, andavam umas meninas a brincar no jardim da árvore, muito divertidas. Apenas
uma, permanecia sentada num banco de madeira que ali havia, quase a chorar.
A árvore que era muito generosa, começou a abanar os ramos para chamar a menina, esta foi
ter com ela. Quando lá chegou, a árvore perguntou-lhe:
- O que tens tu?
- Eu?!- respondeu a menina sobressaltada.
- Sim, tu, que tens uma saia que mais parece um balão – disse a árvore.
- Não gostas da minha saia? - perguntou a menina.
- Sim, claro, é pena não podermos jogar ao balão com ela! – gozou a árvore.
- Espera aí, tu fa-fa-fa-la-las! - gaguejou a menina com medo.
- Sim, falo, mas não podes contar a ninguém, se contares, cortam-me –disse a árvore.
- Está bem, eu não conto. Chamo-me Joana, muito prazer - apresentou-se a menina.
- Olá, Joana, mas afinal o que é que tu tens? – perguntou a árvore.
- Não tenho amigas, e tu o que tens? – disse a menina.
- Olha, tenho a certeza que elas são tuas amigas, e eu tenho um sonho - respondeu a árvore.
A menina aproximou-se da árvore e perguntou-lhe, baixinho, qual era o seu sonho. A árvore
começou a dizer:
- Ver as montanhas, ver os palácios, ver a água, ver as praias ver as outras culturas, ver os
outros países...
- Ah, o teu sonho é viajar! – disse a Joana.
A árvore abanou os ramos, como quem quer dizer sim. Então a Joana disse-lhe:
-Não te preocupes, eu vou fazer com que isso aconteça, tens é que esperar algum tempo –
disse a Joana.
- Mas como!?- perguntou a árvore.
- Olha, eu vou ter que ir embora, mas depois conversamos. Adeus! – despediu-se a menina.
A partir daí, a árvore e a menina Joana falavam todos os dias.
Até que a Joana cresceu, ficou adulta e partiu. Foi à China comer com pauzinhos, foi a Paris
ver a torre Eiffel, foi a Roma ver o papa, foi a Espanha ver as sevilhanas a dançar, foi a Inglaterra
ver o Big Ben e o palácio da rainha...
Passados cinco anos, voltou e foi até ao jardim da sua amiga árvore. O jardim estava tal e qual
V Concurso Concelhio de Prosa, Poesia e Ilustração
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