A Árvore
A ÁRVORE
Todos têm uma Árvore de vida,
Que observa quase inerte, paciente,
Nós não nos apercebemos,
Mas ela com certeza vê a gente.
Quando somos pequeninos,
E brincamos sorridentes,
Rodeados de meninos,
A correr de cabelos ao vento,
A Árvore recorda os tempos,
Em que não passava de um rebento.
O tempo passa e o menino cresce,
E a Árvore parece pedra que não mexe,
No entanto, ela mexeu!
Um e outro ramo sorrateiro,
Já percorreram um “longo” caminho,
E conseguem agora ver os filhos,
Do outrora Rapazinho.
Os anos dentro da casca impenetrável,
Parecem atravessar o mundo,
De maneira copiosamente estranha,
Anos que ao passar não furam,
Anos que passam como quem arranha.
Muitas estações se seguiram,
Estações que se apresentaram,
Estações que se despediram,
E o Velho bem o sente,
Contudo a enorme Árvore,
Continua bem presente.
Os passeios do Velho em tardes de sol,
Tornaram-se aos poucos mais escassos,
Até que de um momento para ao outro,
Deixaram de se ouvir os seus passos.
E a sua incógnita companheira,
Aparentemente intocável, imóvel,
Num sofrimento calado,
Permanecerá aos olhos dos demais
Como apenas um ser inanimado.
Dinis Nunes – 11.ºA
V Concurso Concelhio de Prosa, Poesia e Ilustração
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