A Voz dos Reformados - Edição n.º 174 Novembro/Dezembro 2021 - Page 6

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Reivindicações para avançar n

O Conselho Nacional da Confederação Nacional de Reformados , Pensionistas e Idosos – MURPI , reunido no dia 27 de Outubro , em Lisboa , decidiu desenvolver um conjunto de iniciativas de divulgação e defesa do seu Caderno Reivindicativo para 2022 , de forma a « retomar o direito a viver com segurança e confiança », « avançar no direito a envelhecer com direitos » e « dar força ao movimento associativo ». Na reunião – onde foi aprovado o Plano de Actividades e Orçamento para o próximo ano – avançou-se ainda com a necessidade de desenvolver , através das federações e associações , ações públicas com o objetivo da retoma do exercício dos direitos dos reformados . Agendou-se ainda para o próximo mês de Maio o X Congresso do MURPI .
Promover a mobilidade
Valorizar as pensões
Tendo em conta que « mais de 80 por cento dos pensionistas auferem pensões cujo valor é inferior ao limiar da pobreza », a Confederação defende a atualização de todas as pensões em Janeiro de 2022 por forma a repor o poder de compra perdido , com a garantia de aumento mínimo de 10 euros . Destaque ainda para a atualização das pensões de reforma acima de 680 euros ; fixação das pensões regulamentares do ex-regime dos rurais em 287 euros ; criação de , pelo menos , mais dois escalões de pensões mínimas , para carreiras contributivas superiores a 40 anos civis , valorizando o esforço contributivo dos beneficiários e fixando o seu valor em 80 por cento do salário mínimo nacional ; revisão da pensão dos trabalhadores que se reformam antecipadamente e reuniam , à data da reforma , as condições atualmente em vigor para acesso à reforma sem penalizações ; aumento do valor do Indexante dos Apoios Sociais ( IAS ); atualização do valor do complemento por dependência dos pensionistas de invalidez , velhice e sobrevivência , do regime previdencial e de solidariedade ; reposição das anteriores regras de cálculo do subsídio por morte sem estar limitado a três vezes o valor do IAS . Entre um vasto conjunto de medidas , o MURPI reclama ainda informação anual a todos os pensionistas , que não têm acesso à Segurança Social Direta , do valor liquido e ilíquido das respetivas pensões , com discriminação das parcelas de descontos ; a diversificação das fontes de financiamento da Segurança Social ; a dotação dos meios técnicos e humanos necessários em todos os serviços da
Segurança Social , Centros Distritais e Centro Nacional de Pensões ; reforço da Rede Pública de Equipamentos e Serviços com recursos humanos e materiais . O aumento do número de escalões do IRS e do limiar de isenção do seu pagamento , a redução das taxas do IVA no gás e electricidade de 23 para seis por cento , a diminuição do preço do gás de botija e a generalização da tarifa social da água são outras propostas avançadas .
Direito a envelhecer
Para o MURPI , « o direito a envelhecer no local onde habitualmente os reformados sempre viveram deve ser concretizado através de apoios às necessidades e às carências que se forem verificando ao longo do processo do envelhecimento , porque constitui a forma mais saudável e humana de prevenir a institucionalização que deve ser utilizada como último recurso ». Garantir rendas acessíveis e apoiadas ; assegurar o acesso prioritário , gratuito e de qualidade aos serviços de justiça ; criar uma rede de apoio a pessoas idosas que vivem sós ; requalificar a habitação , garantindo a climatização e os apoios técnicos ; melhorar os espaços urbanos com iluminação , remoção dos obstáculos e a construção do mobiliário ; garantir o acesso fácil aos principais meios de transportes públicos , são medidas que devem ser priorizadas pelo Poder Central , para assegurar uma vida confortável e segura às pessoas idosas .
Tendo em conta que « as periferias das cidades e as freguesias dos concelhos rurais são desprovidas de transporte adequado , o que isola ainda mais as populações mais idosas », a Confederação exige uma rede de transportes de qualidade , tendencialmente gratuita , com horários adequados e frequentes , bem como a melhoria das acessibilidade . « As experiências do passe intermodal existentes nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto devem ser alargadas a todos os distritos do País », considera o MURPI .
É tempo de :
• Devolver a alegria e o prazer de viver o tempo da reforma , liberto do isolamento e do medo , promovendo o direito a viver , com segurança e confiança , retomando rotinas diárias , o convívio familiar e social e a fruição saudável dos tempos livres ;
• Dar um combate sem tréguas às desigualdades sociais e à pobreza entre idosos , cumprir os direitos dos reformados , pensionistas e idosos , fazendo avançar o direito de envelhecer com qualidade de vida e dignidade ;
• Retomar a vida associativa , assegurando o normal funcionamento das associações de reformados , pensionistas e idosos e dos seus grupos culturais ;
• Retomar o funcionamento das universidades seniores e garantir a todos os reformados , pensionistas e idosos o direito à fruição cultural e desportiva ;
Reforçar o SNS
Como salienta o Caderno Reivindicativo do MURPI , a Serviço Nacional de Saúde ( SNS ) tem sabido dar a « resposta necessária e urgente » para combater e controlar a atual epidemia com o valioso contributo dos seus profissionais , que , não se poupando a esforços , têm demonstrado elevado profissionalismo nas áreas da saúde publica , nas unidades de médicos de família , nos cuidados hospitalares , superando as enormes carências fruto de desin-
6 A Voz dos Reformados | Novembro/Dezembro 2021 Novembro/Dezembro 2021 | A Voz dos Reformados Saúde 7 Informação O que desejamos neste Natal para as pessoas idosas? FUNDAÇÃO PORTUGUESA DO PULMÃO BCG - uma vacina com 100 anos José Miguel Carvalho Margarida Lage Médico Médica Vacinas é um dos temas do momento, e todos dão opi- niões. Tema polémico des- de sempre, mas um arma preventiva essencial. Ao tratar uma doença, os medicamentos mostram os seus resultados, com a cura dos doentes; ao prevenir uma doença, as vacinas evitam que ela seja tão grave ou mes- mo que apareça. Quando estamos doentes e nos curamos ficamos contentes e agradecidos; Quanto aos desejos acho que são semelhantes aos dos outros Natais e também ao que desejo para mim própria: saúde, companhia, afetos, felicidade. Saúde Penso que para a saúde contribui muito o cuidado em não cometer excessos: Quantas vezes após uma refeição mais copiosa surge um epi- sódio de colecistite (inflamação da vesícula). Após ingestão de doces na quadra natalícia é frequente que a diabetes descompense ou que o colesterol suba, o peso corporal aumente e, por um excesso de álcool, se tenha uma noite mal dormida. Num doente com hiperuricemia é ainda frequen- te uma refeição rica em marisco de- sencadear um episódio de gota. São sugestões sensatas e exequíveis para evitarmos, ou minimizarmos esses desconfortos: não exagerar na quantidade de alimentos ingeridos; não abusar do álcool; adequar a alimentação, mesmo nos dias fes- tivos, aos seus problemas crónicos, para não os descompensar; evitar os acidentes, sejam eles de trânsito ou domésticos. Todos os anos recordo a primeira noite de Natal em que fiz urgência no Hospital de S. José: cerca das 22h00 apareceu uma senhora de meia idade, obesa, muito simpáti- ca, que pediu «desculpa por nos vir maçar naquela noite». Ao escorrer a água ao bacalhau de um tacho enorme, para toda a família, quei- mou-se extensamente. Claro que ficou o Natal estragado para todos. Companhia É muito importante não ficar só, particularmente no Natal. Mesmo quem não é religioso, vê no Natal uma festa de família ou um convívio de amigos. Há quem seja convida- do para vários grupos familiares ou, não os tendo, de amigos e prefira, mesmo, estar só. Conheço apenas uma pessoa assim e sei – tenho a certeza – que não se sente bem. Tendo em conta que tradicional- mente é um «Dia de Família» é natural que haja aquele cunhado chato, ou aquele tio que põe a tele- visão «aos berros». Pois, paciência, vamos tolerar esses contratempos e «cara alegre». Durante todos os outros dias do ano podemos colo- car, na hora da refeição, a música de que gostamos ou simplesmente conversar. Vejamos «o copo meio cheio» em vez de «meio vazio». Convenhamos que estará presente naquele grupo um familiar que até gostávamos que não existisse, mas, em contra- partida, estarão juntas pessoas que poucas ocasiões têm de se encon- trar e se estimam verdadeiramente. Um pouco de tolerância faz bem para que ninguém fique só. Afetos São fundamentais, sempre! Mas no Natal somos mais sensíveis a eles: aos positivos e aos negativos. De- monstremos largamente a afeição pelos nossos entes queridos, sem magoar aqueles de quem gostamos menos. Que o anfitrião/anfitriã saiba de- legar funções: os netos, se já estão um pouco crescidos, adoram ajudar, pondo a mesa, levantando os pratos, trazendo travessas. O marido e os fi- lhos podem, e devem, encarregar-se das bebidas, de servir os pratos e, porque não, elaborar um prato es- pecial ou ir buscar algo que resolveu encomendar previamente. A escra- vatura da mulher já acabou… Felicidade Este termo é por tal forma amplo que não pode dissociar-se dos ante- riores. Bem pelo contrário. É o que mais desejamos para nós e para os que nos são queridos e que engloba a saúde, a companhia e os afetos. Na nossa idade, provavelmente, o sucesso profissional não será o nosso objetivo principal. Pode, no entanto, ser necessário e agradável para o nosso bem-estar que o idoso seja útil aos outros (sejam idosos ou jovens): ajudar a cuidar dos netos, acompanhar amigos ou familiares em fases de crise de saúde ou de ânimo, frequentar reuniões lúdi- cas ou culturais. Que cada um faça o que lhe der prazer. Para muitos, manter-se informados, ativos, par- ticipantes em atividades sociais ou desportivas, é ainda mais relevante na terceira idade. Está provado que, na terceira idade, são mais felizes as pessoas que são úteis aos outros. Em resumo, para este Natal desejo a todos FELICIDADE! FARPIBE/MURPI NO DISTRITO DE BEJA R: DOS AÇOUTADOS 18 • 7800-493 BEJA FARPIL/MURPI NO DIST. DE LISBOA R OVAR 548 1 C • 1950-214 LISBOA FARPIP/MURPI NO DISTRITO DO PORTO R DE CONTUMIL BL1 ENT. 724 CV 18 • 4350-130 PORTO FARPIE/MURPI NO DISTRITO DE ÉVORA R DE MACHEDE 53 • 7000-864 ÉVORA FARPIS/MURPI NO DIST. DE SETÚBAL AV 25 DE ABRIL - EDF MONTE SIÃO TORRE DA MARINHA • 2840-443 SEIXAL FARPILE/MURPI NO DISTRITO DE LEIRIA R 18 DE JANEIRO 13 • 2430-256 MARINHA GRANDE FARPIR/MURPI NO DIST. DE SANTARÉM R DR BERNARDINO MACHADO 17 • 2090-051 ALPIARÇA MURPI • Confederação Nacional de Reformados Pensionistas e Idosos RUA OVAR, 548, 1.º C – 1950-214 LISBOA | Telef. 218 586 081 | murpi@murpi.pt | www.murpi.pt www-facebook.com/MURPI-Confederação-Nacional-de-Reformados-Pensionistas-e-Idosos MURPI não concorda com o congelamento das pensões Na reunião do Conselho Consultivo do Instituto da Gestão Financeira da Segurança Social, realizada no dia 28 de Setembro, a representante do MUR- PI absteve-se na votação da Conta da Segurança Social de 2020. Reconhecendo aspetos positivos, nomeadamente o saldo positivo de 2,1 mil mi- lhões de euros e o aumento extraordinário das pensões até 1,5 do Indexante dos Apoios Sociais (IAS), a Confederação discorda em absoluto com o congelamento do valor das restantes pensões. «É necessário recordar que às pensões de valor mais alto correspondem carreiras contributivas longas, cujos titulares têm vindo a perder poder de compra em anos sucessivos», acentua o MURPI, em declaração de voto, onde manifesta preocu- pação com «o aumento da dívida bruta em 2020». Relatório de atividades A Confederação Nacional de Reformados, Pensio- nistas e Idosos absteve-se também na votação do relatório de atividades de 2020 por não concordar que se trate o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IGFSS) como se fosse uma «em- presa, sendo as atribuições do IGFSS tratadas como “áreas de negócio”, os utentes como “clientes” e os trabalhadores como “colaboradores”». MURPI EM MOVIMENTO Ações um pouco por todo o País quando a vacina evita a doença, silenciosa- mente, a vacina faz o seu papel e «não nos acontece nada» (mas, provavelmente, acon- teceria sem ela!). Em 1921, após 13 anos de pesquisa, os inves- tigadores Albert Calmette e Camille Guérin, conseguiram uma estirpe atenuada de Mi- cobacterium bovis, bacilo semelhante ao da tuberculose humana, e surgia a vacina BCG. É a vacina com mais anos de utilização con- tínua, com mais de três mil milhões de doses administradas. Polémica em muitas alturas, esta vacina tem ajudado a reduzir o peso das formas graves da tuberculose na infância, so- bretudo nas regiões de alta incidência; é muito segura, tendo, em comparação com vacinas de outras doenças, muito menos complicações. A luta contra a tuberculose tem como prio- ridade o tratamento correto e completo de todos os novos casos, o mais precocemente possível, para reduzir os riscos de contágio e evitar que a doença se vá espalhando. Pas- sados 100 anos ainda continuamos a usar a vacina com o Bacilo de Calmette e Guérin, contribuindo para reduzir as formas graves de tuberculose (pulmonares e meníngeas) nas crianças. No nosso País, após décadas de trata- mento regular da tuberculose na comunidade, começa a haver uma incidência mais baixa, embora ainda longe do desejado; nesta fase, a vacina BCG continua a ser indicada nos recém nascidos que tenham um risco acrescido de exposição à doença. A BCG tem eficácia reduzida na doença dos adultos, e o seu papel é apenas parcial na luta contra a tuberculose, mas nas regiões de elevada incidência mantém-se a vacinação generalizada das crianças. Esperamos por novas vacinas, que consigam erradicar esta doença que – nos países menos desenvolvidos – é ainda causa da morte de mi- lhões de pessoas todos os anos. Olivais Em Novembro, a Associação Unitária de Reformados Pensionistas e Idosos de Grândola promoveu um magusto, onde o «prato forte» foi também o Ca- derno Reivindicativo do MURPI. Iniciativa semelhante aconteceu na As- sociação de Reformados, Pensionistas e Idosos (ARPI) dos Olivais, em Lisboa, onde, para além da atuação do Grupo de Canto da Associação Unitária de Amora Reformados, Pensionistas e Idosos da Ameixoeira, ocor- reu uma singela homenagem a Maria Elisa Correia da Silva Menezes, sócia fundadora da ARPI, que completou 98 anos. A iniciativa contou com a pre- sença de Casimiro Menezes, presidente do MURPI. O São Martinho foi igualmen- te assinalado pela Associação dos Reformados e Idosos de Freguesia de Amora e pela Comissão Unitária de Reformados, Pensionistas e Idosos de Santa Iria de Azóia (CURPISIA). No dia 23 de Novembro, a Assembleia Geral da CURPISIA apreciou e votou o Programa de Ação e Orçamento para 2022, bem como o Parecer do Conselho Fiscal. Esta comissão lançou ainda «O Nosso Boletim», publicação informati- va da CURPISIA. No dia 8 de Outubro, esta comissão de Santa Iria de Azóia assinalou ainda a passagem do seu 40.o aniversário. Também a Associação de Reformados do Barreiro esteve reunida, no dia 24 de Novembro. Santa Iria de Azóia Grândola Barreiro Couço assinala Dia Internacional do Idoso O Dia Internacional do Idoso – instituído em 1991, pela Organização das Nações Unidas – foi assinalado no dia 30 de Outubro pela Junta de Freguesia do Couço e a Associação de Re- formados, Pensionistas e Idosos da Freguesia do Couço (ARPIC), com um programa de cultura e solida- riedade. No salão da Casa do Povo do Couço não faltou a declamação de poe- mas, por Georgina Caçador, uma exposição de panos e talegos, feita pelas costureiras da associação, e a actuação do grupo de cantares da ARPIC. A iniciativa contou ainda com as palavras de José Sampaio, presidente da Federação das Asso- ciações e Organizações de Reformados do Ri- batejo (FARPIR). Intervieram também Ortelinda Graça, presidente da Junta de Freguesia do Couço, e Rogério Justino, presidente da ARPIC.