A Voz dos Reformados - Edição n.º 171 Maio/Junho 2021 - Page 3

Em foco
Maio / Junho 2021 | A Voz dos Reformados 3

Em foco

E D I T O R I A L

Resistimos e avançamos

Casimiro Menezes

Há 43 anos com os valores e a força de Abril

No dia 27 de Maio de 1978 foi fundada a Confederação Nacional de Reformados , Pensionistas e Idosos – MURPI , constituída com a força e a unidade de centenas de organizações e de milhares de reformados , que sentiam a necessidade de se criar uma organização – pioneira em Portugal – que os representasse e lutasse pela defesa dos seus direitos . A partir daí a luta nunca mais parou ...
Nos últimos 43 anos , milhares de dirigentes e ativistas reformados , homens e mulheres , estiveram e continuam a estar envolvidos em numerosas lutas pela conquista e defesa de direitos que são essenciais para garantir um envelhecimento digno . « O aumento médio da esperança de vida verificado em Portugal nas últimas décadas é um ganho civilizacional que se ficou a dever ao desenvolvimento científico e tecnológico da medicina e , em Portugal , à melhoria das condições de vida após o 25 de Abril , às conquistas na proteção social e à criação do Serviço Nacional de Saúde ( SNS ), universal , geral e gratuito », recorda o MURPI . Num documento que assinala o aniversário , a Confederação acentua que o « envelhecimento populacional , que se verifica em todo o mundo e muito particularmente no nosso País », é devido , também , « à baixa taxa de natalidade », colocando « novas perspetivas de propostas e de exigências na organização e disponibilização de meios e de estruturas que contemplem as necessidades verificadas numa população em progressivo envelhecimento ».
Propostas urgentes Neste cenário , exige-se do Estado a definição de uma política estratégica que respeite o envelhecimento com dignidade , sendo essencial que a mesma seja concebida com a audição das organizações de reformados , na defesa de políticas de direitos sociais inclusivos , justos e necessários . Defender um quadro habitacional que assegure melhores condições para a saúde , em que cada um possa viver a última parte da sua vida onde e como sonhou , na sua casa ou em alternativa utilizando um equipamento social ( estrutura residencial para idosos ) adequado , com qualidade e socialmente inclusivo , integrando uma rede pública de equipamentos sociais , é outra das reivindicações do MURPI . É ainda fundamental continuar a lutar pela melhoria das pensões , especialmente as mais degradadas , para que assegurem o poder de compra de bens , combatam a pobreza e a exclusão social , e pela defesa do SNS , reivindicando a progressiva vacinação de toda a população , o atendimento presencial no tratamento de todos os doentes não-COVID que ficaram para trás e a aceleração do ritmo de rastreio das doenças oncológicas . Neste ano em que não haverá Piquenicão , a Direcção Nacional da Confederação assume o compromisso de participar em todas as pequenas festas organizadas pelas associações do MURPI , dando força à luta que é de todos porque « Só o Portugal de Abril respeitará o Outono da vida ».
A vida tem demonstrado – ao longo destes 43 anos que o MURPI tem percorrido – que perante as dificuldades devemos procurar a coesão , resistir e avançar . Foi o que fizemos desde que foi criada a Confederação Nacional de Reformados , Pensionistas e Idosos – MURPI , a 27 de Maio de 1978 , enfrentando as vicissitudes de cada dia . Do nosso lado temos a razão de todos os que aspiram viver com dignidade e connosco lutam em defesa dos direitos dos reformados . Só assim temos sabido trilhar um caminho que permitiu conquistar os direitos que usufruímos . Luta que acompanha o desenvolvimento da marcha dos avanços e recuos da nossa democracia .
A pandemia da COVID-19 tem causado muito sofrimento e dor aos reformados , pensionistas e idosos , que , por apresentarem maior vulnerabilidade , como se veio a comprovar , foram alvo de medidas restritivas que tocaram o âmago do nosso viver , pelo isolamento , pela proibição de movimentos , impedindo o tocar e receber carinhos , agravando psicologicamente as vidas deste grupo social e causando males piores .
Vivemos agora momentos de maior confiança . Com prudência vamos deslaçar os nós e resgatar o caminho por um associativismo mais forte e interventivo , recuperando o tempo e a força necessários para devolver direitos e retomar o curso natural da vida .
Participámos nas comemorações do 25 de Abril e do 1 .º de Maio ; estivemos na grandiosa manifestação nacional realizada no dia 8 de Maio , no Porto , durante a cimeira informal dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia , no âmbito da Cimeira Social , onde exigimos melhores pensões e proteção social ; vamos promover encontros com a participação dos grupos das associações do MURPI , de forma a levarmos mais longe a nossa luta .
Simultaneamente e de olhos postos no futuro , temos de concretizar , com ações , as medidas contidas no Caderno Reivindicativo para 2021 ; preparar novas propostas para a política de rendimentos e de proteção social ; iniciar a preparação do X Congresso do MURPI , cuja realização foi adiada para Maio de 2022 , elegendo os membros das Federações .
Sempre com confiança e esperança resistimos e avançamos .