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Em Destaque e as do capital tem de ser realizada para reduzir as desigualdades sociais sos é admitir a eutanásia social
Isabel Gomes
José Núncio
Manuel Passos
Casimiro Menezes
Setembro / Outubro 2020 | A Voz dos Reformados 5

Em Destaque e as do capital tem de ser realizada para reduzir as desigualdades sociais sos é admitir a eutanásia social

Isabel Gomes

Dar mais vida aos lares

É preciso alargar a rede de lares , com a criação de uma rede pública . Enquanto isso não acontece , há que dar vida aos que existem , quaisquer que seja a sua organização . Os atuais devem cumprir as suas obrigações : elaborar os seus planos de contingência ; garantir todas as condições para prestação de cuidados com qualidade aos idosos ; meios humanos em número suficiente , para a resposta necessária , caso a caso . Os lares não podem ser apenas depósitos de « velhos ». Existe vida para além do vírus , e , por isso , para além da necessária proteção , de que a maioria dos lares não teve em consideração , há que dar uma atenção especial a todo o resto . Os idosos não podem passar o fim da sua vida completamente isolados , apenas com os seus pensamentos . Há necessidade de que falem e estejam na presença dos seus familiares e amigos , que existam técnicos que , caso a caso , verifiquem qual a melhor maneira que o físico e o cérebro de cada um mantenha o seu funcionamento . A conversa , a música , a leitura ou apenas o ouvir algo com interesse , que leve a sorrir ou a bater palmas , o cantar , o movimento , são algumas das atividades que são fundamentais . É urgente dar uma nova vida aos lares .

José Núncio

Movimento Associativo de Reformados vive momentos difíceis

As pessoas idosas e o seu Movimento Associativo estão a ser particularmente atingidos pelas medidas de confinamento e pandemia do medo . A epidemia que assola o País veio agravar as já débeis condições de funcionamento das associações – dificuldades financeiras ; falta de apoio no âmbito da fruição cultural , desportiva , lúdica e requalificação das suas sedes e espaços onde desenvolvem a atividade . Estas associações vivem muito da confraternização e solidariedade , da organização dos mais diversos eventos e convívios . A não realização destas iniciativas provoca a perda de receita , mas o mais drástico é o isolamento a que continuam votadas as pessoas idosas . No princípio de Agosto , a Direção-Geral de Saúde publicou o guião orientador para abertura dos centros de dia , que , em muitos casos , não é possível levar à prática – pela dificuldade , entre outras , do espaço físico . Aquilo que parecia uma esperança transformou-se numa desilusão . Torna-se necessário lutar contra o isolamento , retomar a vida associativa e combater o pessimismo .

Manuel Passos

Até quando ?

Através da comunicação social , temos assistido ao desenvolvimento dramático , no País , da epidemia do SARS 2 ( COVID-19 ), mais conhecido por « novo » coronavírus , nos lares da 3 .ª idade . Em Março , quando surgiu em força este surto pandémico e as suas dolorosas consequências , confinados , assistimos à outra face deste drama : « a pandemia do medo ». Os residentes nos lares da 3 .ª Idade foram « emboscados » por este vírus , trazido para o interior dos seus quartos involuntariamente , por trabalhadores , cuidadores , dirigentes , fornecedores e profissionais de saúde .
Perante este drama , o MURPI reclamou que fossem tomadas medidas urgentes e concretas para defender os idosos da pandemia . Afinal tínhamos razão . No seu Caderno Reivindicativo de Novembro de 2019 , a Confederação exigiu a urgente melhoria das insuficientes condições dos lares . Denunciámos as decisões do ministro Pedro Mota Soares que , em 2012 , alargou para o dobro o número de vagas dos lares , « encaixotando » os idosos , o que foi fatal para que os surtos nos lares fossem drasticamente ampliados . Entretanto , aquando do recente « desastre » no Lar de Reguengos , o atual ministro da Segurança Social convocou para a reunião com a ministra da Saúde os membros das IPSS , misericórdias e outras estruturas , mas « esqueceu-se » do MURPI , que é também Parceiro Social e que contribuiria com a experiência acumulada dos seus associados para melhorar as medidas justas e necessárias a implementar .

Casimiro Menezes

Saúde e o direito a envelhecer

Os portugueses envelhecem com pouca saúde ; embora o maior acesso aos cuidados de saúde , graças à criação e funcionamento do Serviço Nacional de saúde ( SNS ), tenha permitido elevar os padrões de saúde , estes continuam a revelarem-se insuficientes porque o investimento público na dotação orçamental e na organização dos cuidados se tem revelado insuficientes às necessidades . Apesar destes constrangimentos , Portugal é o País em que os valores da média de esperança de vida tem aumentado . Mas viver mais anos de vida não significa viver melhor com mais saúde . Na recente pandemia que atinge também o nosso País , verificámos que a existência de um SNS permitiu melhor resiliência e maior capacidade de resposta à emergência na saúde , apesar de fragilizado por anos a fio de desinvestimento , à espera de milhões de euros anunciados no Orçamento do Estado . Com os problemas acumulados resultantes da prioridade dada a situações de urgência provocada pela COVID-19 , a resolução de consultas e tratamento cirúrgico de outras situações exige a definição e aplicação de um Plano de Emergência Nacional que dê resposta adequada aos problemas mais sentidos pela população em geral e pelas pessoas idosas , em particular . O adiamento da solução contribui seguramente para o agravamento da atual sanitária e eventual aumento da mortalidade evitável se o tratamento fosse aplicado em devido tempo . O grande desafio é retomar o ritmo habitual , dando resposta ao pedido de milhares de consultas nos centros de saúde , criando soluções de tratamento humanizada a quem recorre normalmente aos serviços de saúde , sem estarem sujeita à espera em filas longas expostas à inclemência do tempo ! O MURPI reclama e exige uma resposta célere e adequada às necessidades porque o tempo é de urgência .