radicalidade, me levaram a decidir deste jeito. Não foi fácil, como todo o resto, mas era e será correto assim. Mas hoje creio ser meu dever tomar-lhes poucos minutos para dizer o quanto me parece errado e me angustia o que está acontecendo. E gostaria de me dirigir às companheiras, aos companheiros, aos amigos com os quais conduzimos tantas batalhas, conhecemos vitórias e derrotas, momentos de alegria e períodos difíceis. A eles gostaria de dizer que não tomem caminho diferente daquele de todos nós 1.
E não dirijo este apelo em nome da tradicional exortação, ainda que legítima, à unidade. Não, digo isso porque o Partido Democrático precisa de seu ponto de vista, de seu senso crítico, de suas ideias. Penso na desorientação e na dor que estão experimentando as pessoas que, nestes dez anos, acreditaram na ideia e na novidade do Partido Democrático.
O PD não nasce do nada, há uma história por trás de nosso caminho. Um caminho longo que todos, sem exceção, deveríamos ter sempre na mente e no coração. A história não começa com nenhum de nós, nunca. Pela primeira vez, provenientes do século XX, a grande maioria das forças reformistas italianas, herdeiras daqueles que, combatendo unidos o fascismo, reconquistaram a liberdade, encontraram-se no PD. Derrubado o muro, terminadas as ideologias, não havia razão pela qual os reformistas não devessem se reunir, não devessem se propor como governo possível deste país. Antes de 1989 estas forças estavam legitimamente divididas pela história. Mas depois só se dividiram pelas próprias lógicas de contraposição.
Será o caso de recordar por uma vez que em 1994, se os progressistas e os populares estivessem unidos, teriam vencido as eleições e Berlusconi não teria governado a Itália? Será o caso de dizer que, se a experiência do primeiro governo Prodi, o da Oliveira, tivesse prosseguido, a história italiana teria tido um outro curso? Será o caso de dizer que, depois das eleições de 2006, na coalizão aconteceu de tudo – a maioria que votava contra o governo no Parlamento, as manifestações contra o Executivo com a presença de ministros deste mesmo governo? Será o caso de dizer que, se não fosse a divisão da esquerda, Romano Prodi seria eleito em 2013 presidente da República?
A esquerda, quando se dividiu, fez mal a si mesma e ao país. Esta é a verdade. Este foi exatamente o demônio da esquerda.
1 Referência aos atuais dissidentes da esquerda do PD, entre os quais Pierluigi Bersani e Massimo D’ Alema.
Itália – a esquerda que se divide e a democracia
67