lidade independente dos indivíduos que os compõem e eventualmente os representam”. Estas definições compunham a argumentação do autor:“ Cabe aos partidos transpor essas questões( que se propõem no desenvolvimento da vida econômica e social) para o plano político, dar-lhes uma elaboração teórica adequada e submetê-las assim ao debate público e à opinião do país. É somente assim que se irá formando um pensamento coletivo e uma cultura popular capazes de orientar a vida política do país, colocando-a a salvo de agitações estéreis e do caos que, de outro modo, estarão sempre iminentes”.( Revista Brasiliense, n. 8, nov.-dez./ 1956).
Caio Prado Jr. se voltava para a“ questão geral” da democratização da vida política nacional, dizendo que a democracia era,“ antes e acima de tudo, o conjunto de práticas através das quais se torne( a) possível ao povo em geral adquirir consciência de seus problemas e necessidades, formar opinião sobre a maneira mais conveniente de resolver aqueles problemas e dar satisfação às necessidades; e, finalmente, fazer com que essa opinião seja levada em conta na administração pública do país. A liberdade e os direitos políticos assegurados na Constituição brasileira e nas leis não têm ou não devem ter outros objetivos que aqueles. E se explicam e justificam na medida exclusiva em que contribuem para isso. De nada servem portanto se deles se excluir o conteúdo concreto que vem a ser o fato de servirem de caminho e instrumento de participação popular na direção e administração do país”( Revista Brasiliense, n. 8, nov.-dez./ 1956). O autor falava de uma democracia de partidos e procedimental –“ esta verdadeira democracia” – como a mais importante condição para o“ funcionamento regular” das instituições políticas e da administração pública:“ Não é possível governar e administrar o país, no mundo de hoje e naquele que se projeta para futuro, sem ser na base de fortes correntes de opinião pública nas quais os governos busquem não somente inspiração para seus atos, como agentes políticos e administrativos capazes de realizar de maneira consequente e fecunda as tarefas que incumbem aos órgãos do poder”.( Revista Brasiliense, n. 8, nov.-dez./ 1956).
Nesse texto, ele retornava ao antigo tema das suas reflexões sobre a vida nacional – a indiferença política –, aludindo ao ceticismo da“ grande maioria da população” ante as respostas que ela esperava da administração pública sem ver sinais de solução satisfatória aos seus problemas:“ O povo não está nem mesmo em condições de saber ao certo o que deve ou pode esperar. Falta-lhe para
A política brasileira segundo Caio Prado Jr.
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