A democracia sob ataque | Página 39

fiscal” não é um garrote neoliberal. Bem ou mal, a democracia vem mostrando suas vantagens.
O desafio democrático atual pode ser reduzido à ideia de articulação. Não podemos nos tornar uma nação de políticos ausentes e cidadãos indignados, que não querem dialogar, não conseguem definir quem são os“ inimigos principais”, não têm plano de voo. Precisamos de mediações.
Tal perspectiva conflui para aquilo que se costuma associar ao compromisso socialdemocrático, voltado para a distribuição da riqueza, a racionalização dos gastos públicos, os direitos sociais e políticas públicas consistentes, de longo prazo.
É uma perspectiva que supõe já termos ingressado em uma nova fase do capitalismo, assentada sobre formas de trabalho e produção tecnológicas, digitais, robotizadas, que abrirão as comportas para o surgimento de sistemas sociais e modos de vida inteiramente novos.
Podemos não conseguir evitar que essa dinâmica se imponha, mas temos como modulá-la. O quanto ela produzirá de“ boa vida” e o quanto disseminará miséria em escala planetária, com a multiplicação de deserdados e excluídos, é algo que não dá para prever, ainda que se possa cogitar. E não dá para prever porque o homem é um ser que responde ao seu ambiente e é da sua natureza encontrar soluções para os problemas com que se defronta.
Vale-se, para tanto, da política e da ciência. Que continuam à disposição. Para serem usadas pelos políticos profissionais, mas também e sobretudo pelos cidadãos, que no fundo são quem decide os movimentos, as escolhas e a qualidade dos políticos.
Dilemas e desafios da política democrática
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