A democracia sob ataque | Página 123

A utopia e os direitos
Gilvan Cavalcanti de Melo

Há um tema que me desperta e provoca minha atenção: a questão da utopia. Neste pequeno trabalho, tentarei, de forma resumida, fazer uma aproximação sobre a minha percepção do polêmico assunto. É apenas uma hipótese entre tantas versões em circulação. Espero contribuir para esse debate instigante.

É conhecida a história política recente dos últimos 12 anos do país. São conhecidos, também, seus resultados políticos:“ hegemonismo” partidário, cooptação, aparelhamento, mensalão, Lava- Jato etc. Os fundamentos da democracia foram abalados: a divisão dos poderes da República esgaçados. O Parlamento e os partidos políticos perderam protagonismo. Conhecidas, também, as sequelas da economia politicamente dirigida: recessão, juros altos, inflação acima do teto, milhões de desempregados, aumento da pobreza e da violência, etc. Os movimentos sociais, omissos. Pior, em silencio. É conhecida a modificação no campo da ética: o cinismo, a manipulação, a enganação, a fantasia, a ilusão e a mentira, a corrupção sistêmica, passaram para a categoria de valores“ universais”. Este é o nosso drama. Também a nossa miséria e tragédia.
Nesta circunstância, concreta, escutam-se muitas vozes de notáveis – dirigentes políticos, colunistas da mídia, intelectuais, etc. –, falar e escrever sobre a perda de utopia e a busca de uma nova. Mas, que isso significa? Buscar sua definição? A tentativa é bastante complicada, complexa e de múltiplas aproximações.
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