A democracia e seus desafios em tempos de crise 1ª Edição - Outubro 2017 | Page 81
Para a superação da condição de vítima
crítico e a responsabilidade são fundamentais para que as víti-
mas transformem a condição na qual se encontram e se afirmem
como sujeito ético.
O sujeito ético que emerge da condição de vítima se revela
pluridimensional: guarda várias possibilidades. A abertura para
a superação da condição de vítima exige enfrentar exatamente
as condicionalidades que se interpõem como exigências contex-
tuais, contingentes e históricas, a fim de afirmar o sujeito que
emerge desde a vítima. A subjetividade daquele/a na condição
de vítima é uma subjetividade em construção num processo his-
tórico. Sua condição é condicionalidade contingente, nunca de-
terminação ontológica ou condições transcendentais. Imaginar
que poderiam ser destes dois últimos tipos esvaziaria a base que
é dada pela historicidade da vítima e, também, pela historicidade
da superação possível de sua condição. Assim, discutir as con-
dições a serem construídas para que efetivamente se possa tra-
balhar na perspectiva da realização do ser sujeito ético a partir
da vítima como agente da superação desta condição é o que nos
ocupa nesta reflexão.
A primeira condição é a vida da vítima: ela poder viver
e viver bem
O sujeito “que já não-pode-viver” e que “grita de dor”, invi-
sível, exterior e excluído pela lógica desumanizadora do sistema,
da marcha triunfal, “interpela” e “aparece” para cobrar condi-
ções para que possa viver. No dizer de Dussel: “na vítima, domi-
nada pelo sistema ou excluída, a subjetividade humana concreta,
empírica, viva, se revela, aparece, como ‘interpelação’ em última
instância: é o sujeito que já não-pode-viver e grita de dor” (2000,
p. 529). Pelo reverso, “a não resposta a esta interpelação é morte
para a vítima: é para ela deixar de ser sujeito em seu sentido radi-
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