A democracia e seus desafios em tempos de crise 1ª Edição - Outubro 2017 | Page 60
O reconhecimento seria suficiente para pensarmos os direitos humanos ?
O RECONHECIMENTO SERIA SUFICIENTE PARA
PENSARMOS OS DIREITOS HUMANOS?
Magali Mendes de Menezes
Pedro de Almeida Costa
Muito se tem falado sobre o Reconhecimento (Hegel, P.
Ricouer, Honneth, Nancy Fraser, C. Taylor entre outros). A cri-
se humanitária, a total ausência de reconhecimento do Outro,
de sua humanidade tem nos conduzido a processos brutais, em
que o humano escorre por entre os dedos do individualismo, do
egoísmo, da prepotência, do racismo, da misoginia e da xeno-
fobia, entre tantas outras formas de violência e de exercício do
poder a qualquer custo. O próprio estatuto do que seja humano
encontra-se, assim, em questão. Afinal, o que é humano? Como o
humano se instaura e o que significa reconhecê-lo? O reconheci-
mento seria suficiente para pensarmos uma sociedade mais justa,
ética, em que resguardaríamos a dignidade do Outro? De que
maneira a compreensão do reconhecimento nos ajudaria a pen-
sar outro modo de estarmos juntos? A partir destas indagações
iniciais, descreveremos alguns momentos da história do conceito
de reconhecimento, selecionando mais especificamente o pensa-
mento de Hegel, Judith Butler e Raul Fornet-Betancourt, para
compreendermos melhor as suas implicações na própria con-
cepção e defesa dos direitos humanos. Na sequência, relatamos
alguns casos recentes e emblemáticos de violações de direitos hu-
manos no Brasil, que nos permitem, então, aproximarmo-nos de
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