A democracia e seus desafios em tempos de crise 1ª Edição - Outubro 2017 | Page 58

Desafeição e política:para outra gramática cidadã- Anotações de trabalho diálogo. Isto é, entendida como poder ético-racional manifesta- do através da fala, o discurso, o diálogo. De sua feita, como dis- semos, estes princípios os mediamos a partir da suposição dos direitos humanos como limiar normativo compartilhável tanto em sua indivisibilidade quanto como orientador das práticas pes- soais e institucionais. 18 3.6. Estes princípios ou eixos normativos complementam- -se bem com uma visão da democracia tanto impulsora rci (no original isso também aparece e convém perguntar ao autor do original o que significa isso ou é erro de grafia no texto...?) quan- to projeto de autonomia pessoal e coletiva, como espaço da legiti- midade deliberativa de suas normas e instituições de libertação e legitimação. Por certo, não é suficiente enunciar estes princípios normativos orientadores. Supõe-se que eles teriam que operar também tanto na ação dos cidadãos, quanto na de instituições, e não só a em nível local ou nacional. Requerem ser mediados e assumidos a cada um deles não só como direitos, senão tam- bém como deveres. Reconhecimento, justiça, responsabilidade, direitos, temos que pensá-los como concorrências – horizonte contrafático – a partir das quais ir forjando formas de convivên- cia e instituições que indiquem uma democracia deliberativa de cidadãos. Como operadores assumidos a partir do poder ético- racional expressado pelos sujeitos, e ao mesmo tempo, como me- diações que dão lugar a instituições renovadas e críveis. Desta feita, introduzimos um tema crucial: o que Castoriadis menciona como a “íntima solidariedade entre regime social e o tipo antro- pológico (sublinhado nosso) necessário para fazê-lo funcionar” (Castoriadis, 1998). Democratizar a democracia, como o cami- nho para abordar os males da democracia realmente existente. 18 Quando falamos de eixos normativos da ação e as instituições, nos situamos no marco de uma ética pós-convencional de princípios. A correção e aceitação de nor- mas tem que se filtrar pelo princípio de universalização e de validação. 57 de 244