A democracia e seus desafios em tempos de crise 1ª Edição - Outubro 2017 | Page 56
Desafeição e política:para outra gramática cidadã- Anotações de trabalho
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um, montado sobre o princípio do reconhecimento;
um segundo, em torno da justiça;
o terceiro, relacionado com a responsabilidade comum.
De certeza, articulados com o tema da luta contra as novas
formas de assimetria, apoiados e mediados desde a dinâmica dos
direitos humanos. Por certo, a ênfase que faço nestes eixos ou
princípios normativos, como critérios referenciais de crítica do
presente da acção política e suas instituições, ancoram em parte
na experiência dos próprios atores sociais em sua vida quotidia-
na, em nossa experiência histórica, em particular, nos conceitos
morais que têm presidido nossa história, estabelecidos no me-
nosprezo, na exclusão ou na marginalização mais ou menos rei-
teradas; em todo o caso, numa forma de construir a sociedade
em que a desigualdade tem sido até hoje uma variável mais ou
menos permanente.
Brevemente, com respeito ao eixo normativo do reconheci-
mento, dizemos reconhecimento de todo outro como pessoa-su-
jeito digno de si mesmo. Uma dignidade afirmada em:
a.
b.
O reconhecimento de cada qual como legítimo sujeito de
direitos e deveres: no plano ético/político, económico/social
e comunicativo/cultural; 17
O reconhecimento de todo outro, para além de seu saber,
poder ou ter, como alguém capaz de concorrência comuni-
cativa, isto é, como interlocutor válido na genesis e confor-
mação das decisões que aludem as formas de organizar a
vida em comum. Ambos eixos da dignidade humana encon-
tram por sua vez suporte em dois imperativos. Um, de longa
data e cujo autor é Kant, que reza “Atua de tal modo que
trate a humanidade, tanto em sua pessoa como na pessoa
17 Este ponto da reivindicação de ser sujeito de direitos é importante. No estudo –cita-
do mais acima - que fizemos para o PNUD, obtivemos um dado interessante a este
respeito: 42% dos chilenos considera que defendem pouco seus direitos, o que indica
um tipo de relações com a ordem social como uma questão de deveres, em frente ao
estipulado pela autoridade.
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