A democracia e seus desafios em tempos de crise 1ª Edição - Outubro 2017 | Page 45
Desafeição e política:para outra gramática cidadã- Anotações de trabalho
que precisamos, se as condições de vida são tão diferentes que as
expectativas de uns e a sua eventual realização freiam e limitam
a de outros? Então, pode entender-se as várias argumentações
éticas, tendentes a justificar uns discursos e a desacreditar outros.
Desde este ponto de vista a reflexão e ação ética passam
por momentos difíceis, no meio de um sem fim de formas de
ações que apontam para outro lugar e que deseja despojar-lhe de
seus atributos. Práticas com viés de violência ou de instrumen-
talização, seduções da imagem, da fama ou do poder pelo poder,
deslealdades, formas de apatias e apoliticismo, terrorismos, etc.
Tudo isso nos demanda voltar a visualizar tarefas de reconstru-
ção nesse plano, ou o que chamamos de ir em busca de uma nova
gramática. 4 Claro, desde que não seja para voltar ao mesmo, para
poder saltar além da paz hobbesiana.
No entanto, o que hoje se demanda não é tanto uma nova
pregação em torno de valores, senão dicas para a sua recriação e
justificativa e, portanto, avançamos fazendo uma aproximação
desde a sua problematização. Neste ponto seguimos o asserto
hegeliano que reza Der Weg die Wahrheit ist Umweg, isto é, o
caminho, método da verdade que é justamente o encerramento.
2. Intermediário: a dialética modernidade/modernizador ou
da subordinação da razão democrática à aliança economia-
-ciência-tecnologia.
2.1. As discussões atuais em torno de normas e valores na
democracia e na política enquadram-se ao interior do contexto
dos finais do século, que pode ser lida como expressão e resulta-
do, em muitos sentidos paradoxal, de uma dialética de moder-
nidade/modernização em termos de globalização. Esta situação
abre espaço a uma nova experiência de si, do outro, da natureza
e do trascendente. Um tipo de experiência que está à espera de
4 O que denominamos também reconstruir uma virada ética.
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